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Geral REPÚBLICA

A verdadeira causa da “pseudo Proclamação da República” chama-se Adelaide

Deodoro estava no Comando Militar do Rio Grande do Sul

15/11/2021 às 12h40
Por: Pedro Son Fonte: jusbrasil
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Proclamação da República. Retrato de Benedito Calixto. 1893.
Proclamação da República. Retrato de Benedito Calixto. 1893.

Ambos disputavam os encantos e favores de uma viúva, cujo nome era Adelaide. Parece que ela preferia o Silveira Martins, deixando Deodoro em segundo plano. Por consequência, tornaram-se inimigos ferrenhos.

Daí, anos mais tarde, a conduta tresloucada do Marechal que não proclamou a república…De fato, as chamadas “causas” da proclamação (que nunca ocorreu) desta República (que não é, e nunca foi) não passam de eventos maquiados pela propaganda golpista (que não menciona a Viúva Adelaide).

São poucos, muito poucos, os que já ouviram falar na Viúva Adelaide. É natural. A historiografia oficial, por motivos óbvios, faz o possível para que seja esquecida.

Um “Viva o Imperador”

Como se sabe — infelizmente muitos brasileiros não sabem —, naquele dia 15, um marechal, já idoso, doente acamado, foi obrigado a deixar o seu leito por um punhado de oficiais que lhe arengavam notícias sobre o descontentamento das tropas.

Logo após uma reunião com o Visconde de Ouro Preto, então Presidente do Conselho de Ministros do Império, e os militares descontentes, já montado em seu cavalo (quase caindo), levantou o seu quepe e gritou: “Viva o Imperador”.

Esta cena foi considerada, bem depois de ocorrida, como o momento exato da “Proclamação da República. Em outras palavras, a historiografia oficial quer que os brasileiros acreditem que Deodoro proclamou a República com um “Viva o Imperador”.

Como acontece a todos que passam a conhecer os fatos descritos, sente-se a inevitável pergunta: Houve alguma proclamação? Não. A chamada Proclamação da República no Brasil nunca aconteceu. Não teve a menor participação popular.

Aristides Lobo, um dos traidores, comentava que o povo assistira a tudo “bestializado (…) acreditaram seriamente estar vendo uma parada”.

A seguir está a transcrição de seu artigo, em forma de carta, onde descreve os acontecimentos:

Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1889

“Eu quisera poder dar a esta data a denominação seguinte: 15 de novembro, primeiro ano de República; mas não posso infelizmente fazê-lo. O que se fez é um degrau, talvez nem tanto, para o advento da grande era. Em todo o caso, o que está feito, pode ser muito, se os homens que vão tomar a responsabilidade do poder tiverem juízo, patriotismo e sincero amor à liberdade. Como trabalho de saneamento, a obra é edificante. Por ora, a cor do Governo é puramente militar, e deverá ser assim. O fato foi deles, deles só, porque a colaboração do elemento civil foi quase nula. O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditaram seriamente estar vendo uma parada. Era um fenômeno digno de ver-se. O entusiasmo veio depois, veio mesmo lentamente, quebrando o enleio dos espíritos. Pude ver a sangue-frio tudo aquilo. Mas voltemos ao fato da ação ou do papel governamental. Estamos em presença de um esboço, rude, incompleto, completamente amofo. Bom, não posso ir além; estou fatigadíssimo, e só lhe posso dizer estas quatro palavras, que já são históricas. Acaba de me dizer o Glycério que esta carta foi escrita, na palestra com ele e com outro correligionário, o Benjamim de Vallonga. E no meio desse verdadeiro turbilhão que me arrebata, há uma dor que punge e exige o seu lugar – a necessidade de deixar temporariamente, eu o espero, o Diário Popular. Mas o que fazer? O Diário que me perdoe; não fui eu; foram os acontecimentos violentos que nos separaram de momento. Adeus. Aristides Lobo.

Nesta carta há um contra-senso evidente. A república não era pública. De fato, nunca foi.) A chamada Proclamação da República no Brasil é uma fábula. Nunca aconteceu. Contudo, resta a pergunta: Se não houve uma proclamação, como foi implantada a República no País?

Após ter gritado “Viva o Imperador, Deodoro, o grande traidor, voltou para casa. Volta ao leito e, na cama, recebeu a visita alguns traidores republicanos. Tentaram fazer com que Deodoro assinasse o documento que viria a ser o decreto Nº 1 da república.

O velho militar, que ainda não era um traidor, se recusou: havia jurado fidelidade ao Imperador.

Marechal Deodoro não era republicano. Havia mesmo escrito, poucos dias antes, a um de seus sobrinhos, o General Clodoaldo que “República no Brasil e desgraça completa são a mesma coisa”.

De má fé, os traidores disseram ao Marechal que o Visconde de Ouro Preto seria substituído por Silveira Martins. Sabiam da inimizade entre os dois. Deodoro não havia perdoado seu antigo rival na disputa pelos favores da Viúva Adelaide.

Tresloucado, como sempre ficava quando se lembrava de sua antiga paixão, Deodoro disse textualmente: “Deixe-me assinar esta porcaria”.

Colocou sua assinatura no documento e pronto: havia se tornado um traidor. Era o primeiro decreto de um governo provisório constituído sem a aprovação do povo. Não representava coisa alguma. Nada além do oportunismo golpista.

Governo Provisório. Decreto nº 1 (15/11/1889) (“a dita porcaria”):

Proclama provisoriamente e decreta como Forma de Governo da Nação brasileira a República Federativa, e estabelece as normas pelas quais se devem reger os Estados federais.

 

O Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil decreta:

Art. 1º Fica proclamada provisoriamente e decretada como a forma de governo da Nação brasileira a República Federativa.

Art. 2º As províncias do Brasil, reunidas pelo laço da federação, ficam constituindo os Estados Unidos do Brasil.

Art. 3º Cada um desses Estados, no exercício de sua legítima soberania, decretará oportunamente a sua Constituição definitiva, elegendo os seus corpos deliberantes e os seus governos locais.

Art. 4º Enquanto, pelos meios regulares, não se proceder à eleição do Congresso Constituinte do Brasil e, bem assim, à eleição das legislaturas de cada um dos Estados, será regida a Nação brasileira pelo Governo Provisório da República; e os novos Estados pelos governos que hajam proclamado ou, na falta destes, por governadores delegados do Governo Provisório.

Art. 5º Os governos dos Estados federados adotarão com urgência todas as providências necessárias para a manutenção da ordem e da segurança pública, defesa e garantia da liberdade e dos direitos dos cidadãos quer nacionais quer estrangeiros.

Art. 6º Em qualquer dos Estados onde a ordem pública for perturbada e onde faltem aos governos locais meios eficazes para reprimir as desordens e assegurar a paz e tranquilidade públicas, efetuará o Governo Provisório a intervenção necessária para, com o apoio da força pública, assegurar o livre exercício dos direitos dos cidadãos e a livre ação das autoridades constituídas.

Art. 7º Sendo a República Federativa Brasileira a forma de governo proclamada, o Governo Provisório não reconhece nem reconhecerá nenhum governo local contrário à forma republicana, aguardando, como lhe cumpre, o pronunciamento definitivo do voto da Nação, livremente expressado pelo sufrágio popular.

Art. 8º A força pública regular, representada pelas três armas do Exército e pela Armada nacional, onde existam guarnições ou contingentes nas diversas províncias, continuará subordinada e exclusivamente dependente do Governo Provisório da República, podendo os governos locais, pelos meios ao seu alcance, decretar a organização de uma guarda cívica, destinada ao policiamento do território de cada um dos novos Estados.

Art. 9º Ficam igualmente subordinadas ao Governo Provisório da República todas as repartições civis e militares até aqui subordinadas ao governo central da Nação brasileira.

Art. 10º O território do Município neutro fica provisoriamente sob a administração imediata do Governo Provisório da República, e a cidade do Rio de Janeiro constituída, também provisoriamente, sede do poder federal.

Art. 11º Ficam encarregados da execução deste decreto, na parte que a cada um pertença, os secretários de Estado das diversas repartições ou ministérios do atual Governo Provisório.

Sala das Sessões do Governo Provisório, 15 de novembro de 1889; 1o da República.

MARECHAL MANUEL DEODORO DA FONSECA, Chefe do Governo Provisório – S. Lobo – Rui Barbosa – Q. Bocaiúva – Benjamin Constant – Wandenkolk Correia.

Diário Oficial, 16 nov. 1889.

Sua divulgação foi lenta, só se tornando verdadeiramente pública depois da expulsão do Imperador.

Fonte: CLIQUE AQUI PARA VER A PUBLICAÇÃO ORIGINAL

 

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