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Você sabia que dia 13 de setembro é comemorado o dia Nacional da Cachaça?

Pois é, nosso destilado tem um dia todinho pra ele!

13/09/2021 às 19h42
Por: Pedro Son Fonte: blog.cachacarianacional.com.br
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A cachaça baiana Abaira vem conquistando mercado nacional
A cachaça baiana Abaira vem conquistando mercado nacional

Muito se fala sobre o surgimento do nosso destilado. Mas o que poucos sabem é que a Cachaça é provavelmente o único destilado do planeta a ter três certidões de nascimento! Isso, devido à uma onda de guerras, invasões e saques que reduziram nossos documentos oficiais a pó. Ou melhor, a memórias e registros dos historiadores.

Foi um acidente!

Pode-se dizer que a história da Cachaça acompanha a história do próprio Brasil. Visto que seu surgimento foi no período Colonial, sendo “descoberta” pelos escravos, no período do ciclo de açúcar. É curioso citar que a fabricação da Cachaça só ocorria quando o processo das rapaduras dava errado. Pois é, a Cachaça foi um “acidente”, por incrível que pareça. No processo de fabricação da rapadura, moía-se a cana, fervia-se a garapa e deixava-se esfriar em formas. Dessa forma, ficava somente o extrato usado para adoçar bebidas. Porém, vez ou outra esse processo não saía como esperado e o caldo fermentava e tinha que ser jogado fora. Por sua vez esse caldo esverdeado e escuro era chamado pelos escravos de cagaça, remetendo a algo que dava errado. Dessa forma, era consumido por alguns escravos, que após beber, trabalhavam com euforia e contentamento. O que fazia até com que o trabalho rendesse mais.

Visto que os escravos trabalhavam entusiasmados, os senhores de engenho incentivavam os escravos a consumir a bebida. O que fez com que a bebida fosse adotada pela população, obtendo um espaço importante na economia colonial. Sendo usada por comerciantes como moeda de troca. Mas para a corte portuguesa essa atitude era uma afronta ao poder da metrópole. Posteriormente, decretou a proibição da bebida para os negros.

Mas a bebida foi se aperfeiçoando com o passar do tempo, passou a ser destilada, filtrada o processo de fermentação foi melhorado. Exemplo disso foi a adição de fubá, que permanece nos processos de produção de Cachaça Artesanal de Alambique até hoje. Foi criado todo um mecanismo chamado Alambique, para que facilitasse a produção e melhorasse a qualidade do produto. Os primeiros alambiques eram feitos de barro e depois foram produzidos de cobre. E permanecem até hoje espalhados por todo Brasil.

Devido ao investimento nos engenhos e na melhora da produção da Cachaça ela se tornou concorrente direta da bagaceira, produzida por Portugal. Logo, a população da colônia perdeu o interesse pela bebida portuguesa. E o destilado nacional ganhou a atenção da população. Para intimidar os senhores de engenho e produtores de Cachaça, estabeleceu-se um decreto de lei. Neste, devia ser cobrado um imposto abusivo sobre a fabricação e venda da Cachaça. Inicialmente os produtores acataram as taxas. Porém chegou a certo momento, em que o prejuízo era grande demais e se tornou impossível arcar com os custos. Como resultado disso, partiram pra ilegalidade. A corte ordenou até a destruição de alguns alambiques. O descontentamento dos produtores provocou uma rebelião contra a metrópole que em 1660, data do marco histórico estabeleceu-se a Revolta da Cachaça.

A Revolta

No dia 13 de setembro de 1661 indignados com as leis decretadas na Carta Real. (que proibia a venda e a comercialização em todo território colonial). Os proprietários de alambique e de plantação de cana de açúcar tomaram o poder na cidade do Rio de Janeiro, por aproximadamente cinco meses. Assim, após a tomada do poder os rebelados foram reprimidos pela corte com extrema violência. E seu líder, Jerônimo Barbalho Bezerra foi capturado, enforcado e decapitado. Como forma de repressão às revoltas, sua cabeça foi pendurada na cidade para amedrontar a população e evitar movimentos semelhantes.

Após a luta de resistência da valorização da nossa querida Cachaça, comemora-se no dia 13 de setembro o “Dia Nacional da Cachaça”, que foi aprovado em 2010 pela Comissão de Educação e da Câmara dos Deputados, após um projeto de lei do deputado Valdir Colatto.

Curiosidades sobre a Fabricação da Cachaça

Sobre os processos que deram origem às técnicas de fabricação do nosso destilado nacional que começaram no período colonial e são usadas até hoje nos engenhos produtores de Cachaças Artesanais de Alambique, podemos apontar algumas curiosidades.

Após um longo período do ciclo açucareiro, a cana-de-açúcar entrou em decadência no século XVII e a descoberta do ouro tomou seu lugar na economia nacional. Por este motivo, houve uma grande migração da população para o interior do país, mais especificamente Minas Gerais. Com isso era necessário transportar a produção das Cachaças que eram feitas em sua maioria em cidades litorâneas, para Minas Gerais, onde havia um grande mercado e oportunidades para o crescimento. Os produtores transportavam para o interior as cachaças brancas (puras) em barris de madeira e devido ao tempo que era gasto para transportá-los, através do contato com as madeiras, a cachaça acabava alterando o sabor e aroma. Assim foi descoberto um processo de aperfeiçoamento do nosso destilado.

Foi incluída na mesa dos nobres

Devido a essa descoberta, os produtores viram a oportunidade de diferenciar as suas Cachaças das concorrentes. Com o aprimoramento da produção, a Cachaça começou a ter atenção dos nobres e ser consumida em banquetes do palácio e confraternizações. Foram criadas as linhas Premium, composições e novas bebidas à base da Cachaça. Evoluíram também a Cachaça com misturas de frutas dentre outras derivações. Em um determinado teste por exemplo, juntaram cachaça com coco, gengibre e criaram o famoso Quentão, bebida típica de festas Juninas.

Devemos destacar a importância da Cachaça na economia do país, que em 2016 gerou diversos empregos diretos e indiretos, e uma renda de aproximadamente 14 milhões de Dólares.

Cachaça é só aqui no Brasil!!

A Cachaça vem sendo reconhecida e conquistando seu lugar. Isso, graças às ações em prol da valorização do nosso destilado. Podemos citar como exemplo as ações do Ibrac (Instituto Brasileiro da Cachaça), que com muito esforço conseguiu fazer com que o Brasil fosse reconhecido como único produtor de Cachaça!

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