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MORTE

Agnaldo Timóteo morre aos 84 anos vítima de Covid-19

Cantor gravou mais de 50 discos ao longo da carreira

04/04/2021 10h54Atualizado há 1 semana
Por: Pedro Son
Fonte: Correio do Povo
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O cantor e compositor Agnaldo Timóteo morreu, neste sábado (3), vítima de Covid-19. O músico, de 84 anos, estava internado no Hospital Casa São Bernardo, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do artista.

"É com imenso pesar que comunicamos o falecimento do nosso querido e amado Agnaldo Timóteo. Agnaldo Timóteo não resistiu as complicações decorrentes do covid-19 e faleceu hoje às 10:45 horas. Temos a convicção que Timóteo deu o seu Melhor para vencer essa batalha e a venceu! Agnaldo Timóteo viverá eternamente em nossos corações! A família agradece todo o apoio e profissionalismo da Rede Hospital Casa São Bernardo nessa batalha", diz o comunicado emitido à imprensa.

No dia 17 de março de 2021, Agnaldo Timóteo foi diagnosticado com a Covid-19 — segundo o assessor de imprensa, ele tinha tomado a primeira dose da vacina 15 dias antes de ser infectado.

O artista foi internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) em estado grave, chegou a apresentar uma "pequena melhora" ao longo dos dias em que esteve hospitalizado, mas perdeu a luta para a doença provocada pelo novo coronavírus.

Trajetória

Agnaldo Timóteo Pereira nasceu em 16 de outubro de 1936, em Caratinga, Minas Gerais. Foi no município mineiro, aliás, que o cantor, compositor e político passou toda a infância. O interesse pela música começou ainda criança, quando fez apresentações em circos que visitavam a cidade natal.

Os primeiros passos da carreira profissional foram dados quando ele participou, como calouro, de programas de rádio na cidade natal, Governador Valadares e Belo Horizonte. O cantor construiria uma história marcada por luta, dificuldades, sucessos, polêmicas, trajetória política e inúmeras participações em programas de rádio e televisão.

Com apenas 16 anos, já morando em Governador Valadares, o músico tinha o hábito de deixar de lado o trabalho de torneiro mecânico para ouvir Ângela Maria, a quem admirava publicamente e, anos depois, teve o prazer de trabalhar e se tornar amigo pessoal.

Na tentativa de gravar um disco, mudou-se para Belo Horizonte, aonde ficou conhecido como ‘Cauby mineiro’ — por conta da semelhança de timbre com Cauby Peixoto, fenômeno musical nos anos 1950. Entretanto, a experiência não trouxe o sucesso que ele esperava, mas, possibilitou o surgimento de convites para imitar o astro em programas de rádio e eventos.

Aconselhado por Ângela Maria a se mudar para o Rio de Janeiro, aonde, segundo a cantora, ele teria mais oportunidades de mostrar o trabalho autoral, o músico enfrentou um começo difícil na capital fluminense.

Foi na cidade, inclusive, que o compositor conheceu Roberto Carlos, que, à época, também havia se mudado para a cidade em busca de oportunidades profissionais. Agnaldo chegou a declarar ao longo da trajetória os perrengues que enfrentou ao lado do ídolo da Jovem Guarda. Os dois costumavam a ir a pé às rádios porque não tinham o dinheiro para o bonde.

Com dificuldades financeiras, o músico procurou Ângela Maria e pediu para trabalhar como motorista dela, que, na época, possuía um automóvel, mas não dirigia. A história com a cantora, aliás, está diretamente ligada a momentos importantes da vida dele.

Por indicação de uma das maiores estrelas da história do rádio brasileiro, Agnaldo Timóteo gravou o primeiro trabalho, que contava com as canções Sábado no Morro e Cruel Solidão. Em 1963, veio o compacto Tortura de Amor, mas, que acabou sendo vendido de mão em mão pelo próprio compositor porque a gravadora não colocava fé no sucesso dele.

Em 1965, venceu todos os prêmios do programa Rio Hit Parade, da TV Rio, ganhando a simpatia do público jovem e assinando contrato com a EMI-Odeon. O primeiro sucesso da carreira veio com o disco Surge um Astro, que contava com versões estrangeiras e que marcaria a característica romântica que acompanhou cantor ao longo de décadas. À época, participou de edições do programa Jovem Guarda — atração produzida entre 1965 e 1968 pela TV Rio e Record TV.

Agnaldo, que contabiliza mais de 50 discos gravados, ficou nacionalmente conhecido ao gravar Meu Grito, canção composta por Roberto Carlos. Entre os grandes sucessos da longa carreira, Ave-Maria, Mamãe e Verdes Campos foram alguns dos grandes marcos da trajetória musical.

Em 1975, Agnaldo apresentou a Galeria do Amor — primeira composição própria e um dos marcos para o surgimento do estilo musical que ficaria conhecido com 'Brega'. Dois anos depois, em 1978, ele transitou por movimentos em alta, como Bossa Nova, com a gravação do sucesso Por Causa de Você, composição assinada por Dolores Duran e Tom Jobim.

O disco de maior sucesso na carreira foi o Perdido na Noite, que contou com composições próprias como Aventureiros e O Conquistador.

Sempre muito discreto em relação a vida pessoal, o cantor nunca assumiu publicamente os seus relacionamentos. Entretanto, em 2017, no documentário Eu, Pecador, que trouxe à tona passagens da trajetória do músico até então inéditas, Agnaldo falou abertamente de romances vividos com outros homens.

Política

Com as mudanças no cenário fonográfico brasileiro e surgimento de interesses pessoais, o ritmo de shows foi diminuindo com os anos e o cantor passou a conciliar a música com a carreira política, que começou em 1982, pelo PDT (Partido Democrático Trabalhista). À época, ele foi eleito o deputado federal mais votado da história do estado do Rio de Janeiro.

Em 1994, foi eleito novamente deputado federal pelo estado fluminense. Além disso, exerceu três mandatos como vereador. O primeiro no Rio, em 1996, e dois pela cidade de São Paulo, em 2004 e 2008 — respectivamente.

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