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D. Mário Zanetta, o apóstolo da esperança!

artigo sobre o Bispo Diocesano D. Mário, já falecido

11/01/2021 11h10Atualizado há 1 semana
Por: Pedro Son
Fonte: folha sertaneja
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PERSONAGENS DE PAULO AFONSO-BA

A publicação que segue é parte do projeto de homenagens a pessoas de Paulo Afonso que deixaram sua marca positiva na história e na vida de Paulo Afonso.

Os textos serão publicados a cada 10 dias nos sites www.letrassertanejas.org, da Academia de Letras de Paulo Afonso - ALPA e também no site www.folhasertaneja.com.br. São textos de autores diversos, a maioria de Membros da ALPA.

Já apresentamos o ex-vereador e ex-presidente da Câmara José Freire da Silva, conhecido como Zé Freire do Abrigo e a Professora Lindinalva Cabral dos Santos, chefe das Bandeirantes de Paulo Afonso. Agora, apresentamos D. Mário Zanetta, o terceiro bispo da Diocese de Paulo Afonso.

Nas próximas edições estaremos homenageando Padre Lourenço, Professora Lúcia Cordeiro, Pastor Onésimo Nascimento, Prof. Gilberto Oliveira, Vereadores Diogo Andrade, Brito, Manoel Pereira Neto, José Rudival de Menezes e muitos outros. Também pioneiros outros da Vila Poty e da Chesf. Mais adiante, estaremos reunindo todos esses personagens em um ou mais livros.

Antônio Galdino da Silva

D. Mário Zanetta, o apóstolo da esperança!

Por: Edson Barreto[1]

“Quando Jesus nos diz: ‘Vós sois a luz do mundo’, ele quer que nós, através de nossa vida, de nossas palavras, de nosso testemunho, sejamos pessoas luminosas. Ele quer que nós iluminemos a vida dos outros.” (D. Mário Zanetta).

O Apóstolo da Esperança, D. Mário Zanetta, foi uma Rosa de Sarom plantada no árido solo do sertão nordestino, especificamente, no município de Paulo Afonso, Bahia. A Bíblia faz referência a essa flor magistral em Cânticos (2: 1-2). Essa rosa que nasce no vale de Sarom, região montanhosa de Israel, tem uma beleza indescritível e um doce perfume inigualável. Impossível de ser esquecida por quem tem ou teve a oportunidade de vê-la e sentir o seu aroma. Assim também foi o italiano D. Mário Zanetta, impossível esquecê-lo.

Aos 29 dias do mês de janeiro do ano de 1938, na Europa, precisamente na cidade de Santo Stefano di Borgomanero, na província de Novara, norte da Itália, nascia uma criança iluminada, do sexo masculino, cujos pais, Luigi e Rosa Zanetta, deram-lhe o nome de Mário Zanetta. No ano de 1949, aos onze anos de idade, para alegria de seus pais, a criança resolve dedicar sua vida à cristandade, ingressa e passa a ser um Seminarista da Igreja Católica. Em dezembro de 1961 foi ordenado Diácono. E em junho de 1962, Sacerdote. Esse seu início de semeador de esperanças aconteceu em sua pátria natal, Itália, onde também foi Vigário Coadjutor.

Da Itália para o Brasil. Este país da América do Sul carecia de padres para as missões apostólicas. E o nordeste brasileiro urgia como prioridade. Assim, dois jovens italianos aceitam o convite da Igreja para serem missionários, deixam sua terra de origem, e desembarcam no Rio de Janeiro, Brasil, no dia 10 de abril de 1969. De lá, seguem para a cidade de Senhor do Bonfim, Bahia, e logo depois chegam em outra cidade baiana do nordeste brasileiro, Paulo Afonso. Eram os padres Lorenzo Tori e Mário Zanetta.

No dia 24 de maio de 1969, Mário e Lorenzo chegaram em Paulo Afonso para iniciar seus trabalhos e suas lutas renhidas num cenário de pobreza, analfabetismo e carente dos ensinamentos cristãos. O prefeito da cidade era o médico chesfiano Edison Teixeira Barbosa. A Igreja Católica de Paulo Afonso era Diocese de Senhor do Bonfim, e o Vigário Geral era Manoel Alcides Modesto Coelho (que depois veio a ser Deputado Estadual e Federal), o Bispo Diocesano era D. Antonio Mendonça Monteiro.

O município iria completar onze anos de emancipação política. O Brasil vivia o Regime Militar, instalado no ano de 1964, mais um desafio para os jovens missionários que logo perceberam os efeitos da censura e repressão política.

Paulo Afonso, nessa época, era um município atípico da paupérrima Região Nordeste. A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) produzia o milagre de oferecer centenas e centenas de empregos para muitos forasteiros que buscavam o sustento de suas famílias, e encontravam-nos nas construções das usinas que gerariam energia elétrica para alavancar o progresso dos nordestinos.

Mesmo assim, havia muita pobreza material e mais ainda espiritual. Falta de escolaridade, moradia e pão para os que não conseguiam emprego. Um muro de pedras dividia a cidade ao meio. De um lado, o organizado e próspero acampamento da Chesf e dos seus funcionários; do outro lado, a desorganizada e carente Vila Poty, que crescia rapidamente.

Nesse cenário de contradições, os padres Mário Zanetta e Lorenzo Tori perceberam que havia muito a ser realizado para os mais carentes, e iniciaram suas incessantes ações para a melhoria de vida de seus irmãos mais necessitados. Uma tragédia interrompeu momentaneamente os imensos afazeres dos jovens.

No dia 03 de fevereiro de 1973, Lorenzo Tori, o Padre Lourenço, como era conhecido, foi atropelado por uma caçamba, nas imediações da construção do Canal da PA IV, quando seguia para as suas missões pilotando uma motocicleta e esse acidente tirou-lhe a vida. Neste local foi erguida a Igreja São Lourenço.

O amigo fiel de Mário Zanetta morreu instantaneamente. Mais um desafio para o Padre Mário. Continuar os trabalhos com a alma encharcada de tristeza e sem a presença do fiel companheiro de jornada, de Montescheno, Itália, que foi sepultado no Cemitério que ajudara a construir e recebe o seu nome em Paulo Afonso. Cemitério Padre Lourenço Tori. Tragicidade do destino!

 

Apesar da tristeza que dilacerava o peito, a Rosa de Sarom Nordestina continuou sua missão de evangelizador e minimizador do sofrimento da população carente.

Como padre contribuiu com a construção das Escolas Casa da Criança, juntamente com a Liga Social Católica, para oferecer oportunidade de estudo àqueles que, por não serem filhos de funcionários da Chesf, não tinham onde estudar. Ergueu Creches e as pôs em funcionamento. Ajudou na construção da Casa das Freiras no BNH (hoje Bairro Amaury Alves de Meneses), contribuiu com a construção de algumas casas para pessoas carentes e de um centro artesanal para gerar emprego, renda e valorizar a arte local: renascenças, rendas, objetos de decoração e outros.

Iniciou um projeto de hortas comunitárias no enorme terreno que fica por trás da Igreja Nossa Senhora de Fátima, onde hoje existe um condomínio residencial, além de auxiliar enormemente na construção de igrejas, capelas e comunidades para a evangelização no meio urbano e rural.

A presença carismática do Padre Mário, em todo o município, foi fundamental para a ascensão religiosa dos católicos locais.

Esteve sempre presente nas lutas sociais dos moradores da Capital da Energia e adjacências, dando o seu apoio, apaziguando os ânimos e dialogando com o povo e a classe governamental para a busca de soluções e conquistas.

Como prêmio aos seus incessantes trabalhos eclesiais e sociais, o Padre Mário foi sagrado Bispo da Diocese de Paulo Afonso no dia 14 de agosto de 1988. Passou a ser D. Mário Zanetta. O lema episcopal escolhido foi “Cremos na Caridade”, o que denotava incontestavelmente o seu caráter e pureza d’alma. Seu carisma, seus trabalhos, sua humildade e a beleza de sua personalidade, comparada à Rosa de Sarom, aumentaram mais ainda, retribuindo a sua ascensão eclesial ao desenvolvimento da região.

Eis algumas de suas marcantes realizações como Bispo: Fundame (Fundação de Amparo ao Menor de Paulo Afonso), entidade que atua com educação e socialização de menores em situação de vulnerabilidade social, Editora Fonte Viva, TV Fonte Viva (em Paulo Afonso), Rádio Regional (Cícero Dantas), Rádio Vaza Barris (Jeremoabo). Também fundou diversas paróquias e comunidades em diversas cidades pertencentes à Diocese, ordenou padres, mobilizou seminários, incentivou associações e pregou incessantemente as boas novas do reino cristão. E ainda dispôs seu precioso tempo para estar ao lado e ouvir doentes e necessitados.

Assumiu importantes cargos na CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), CPP (Comissão Pastoral dos Pescadores), IRPAA (Instituto Regional para a Pequena Agropecuária Apropriada) e outros.

Ajudou escritores e artistas diversos na publicação de seus trabalhos, e era sempre lembrado como Patrono e Paraninfo de alunos concluintes do Ensino Médio e Educação Superior no território de sua atuação.

Em 13 de novembro de 1998, na Capital Pernambucana (Recife), faleceu D. Mario Zanetta. Um acidente vascular cerebral ceifou-lhe a vida. Seu enterro, em 16 de novembro de 1998, fora acompanhado por uma multidão jamais vista nas ruas de Paulo Afonso. Foi enterrado ao lado de seu companheiro, Lorenzo. Chegaram juntos à Capital da Energia em 1969, cheios de vida. E hoje, estão juntos, no Cemitério Padre Lorenzo Tori, sem vida. Deus os convocou para missões mais sublimes no reino celeste.

No mês de novembro, todas as paróquias, dos municípios que compõem a Diocese de Paulo Afonso, rendem homenagens ao Bispo D. Mário Zanetta, imorredouro no coração dos familiares, amigos e católicos que conviveram com a sua meiguice e ternura.

Há vários relatos de casos de graças alcançadas por promessas feitas a esse Apóstolo da Esperança. Experiências vivenciadas que só a fé explica; mortais humanos não são capazes de explicar. A esperança dignifica a vida, enobrece a alma e enaltece a fé cristã.

Dentre tantas homenagens, no município de Paulo Afonso, há uma Rua D. Mário Zanetta (Bairro Centenário), Bairro D. Mário Zanetta, Restaurante Popular D. Mário Zanetta (BNH), Condomínio Residencial D. Mário Zanetta (BTN III) e o Núcleo D. Mário Zanetta (cursos profissionalizantes gratuitos de curta duração). Em Feira de Santana, Bahia, há o Seminário D. Mário Zanetta.

Segundo o site Wikipedia (disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/ Mario_Zanetta) existe “na praça principal da cidade de Macururé, no sertão baiano, um monumento em sua memória, contendo a seguinte citação: ‘A noite do mundo não vem do fato que Deus não exista, mas do fato de que os homens não advertem a sua presença. Precisamos acender luz, iluminar o mundo’. Dom Mário Zanetta”.

Jesus Cristo, o Mestre dos Mestres, disse: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá” (João 11:25-26).

Assim, D. Mário Zanetta, o Apóstolo da Esperança, a Rosa de Sarom plantada em solo nordestino, no município de Paulo Afonso, Bahia, jamais morrerá!

REFERÊNCIAS:

BARRETO, Edson; ARAÚJO, Marajana. A Vida... e a Vida de Pe. Lourenço. 2. Ed. Paulo Afonso: Editora Fonte Viva, 1990.

BÍBLIA ONLINE. https://www.bibliaonline.com.br/acf/ct/2 Acesso em: 17 de set.2018.

 

*Edson José Barreto dos Anjos, é baiano de Miguel Calmon. Nasceu em 23/08/1967. Chegou Paulo Afonso em 1974.

Formado em Pedagogia, pela UNEB e em Letras pela FTC. Pós-graduado em Supervisão Escolar, pela UNIVERSO, do Rio de Janeiro. Especialista em Língua Portuguesa e em Coordenação Pedagógica (UFBA), leciona Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e Redação, no CETEPI-1 e compõe a Equipe Pedagógica da Secretaria Municipal de Educação de Paulo Afonso.

 Escreveu: Transformações..., em 1988 e é coautor de A Vida... e a Vida de Padre Lourenço (1º ed., 1989 e 2ª ed., 1990). Seu último livro é Versos Diversos em Verso e Reverso (2014), com o Professor Roberto Ricardo. É fundador e imortal da ALPA, cadeira Nº 5.

 

 



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