VISOR: Jeremoabo, Terra de Governadores

VISOR: JEREMOABO, TERRA DE GOVERNADORES

Coronel João Sá; 2. Olympio Campos; 3. Guilherme Campos

 Pedro Son1

Muita coisa pode ser escrita sobre Jeremoabo pelo seu contexto histórico e por sua importância na formação do povo do Nordeste da Bahia. Quer econômica, administrativa ou politicamente, temos inúmeras contribuições para perpetuarmo-nos na história. Fanático por esta história, tenho levantado pontos importantes para reflexão e resgate de nossa excelsa importância.

De uma só vez, traga-vos biografias resumidas de três personalidades que nasceram ou viveram em nossa cidade e que chegaram a ocupar o cargo de Governador de Estado, tanto da Bahia quanto de Sergipe: João Gonçalves de Sá, Olympio Campos e Guilherme Campos. Por isso, a ênfase do título é verdadeiramente a realidade da força deste município: terra de governadores. Enaltece-nos ter tido entre nós, atuando como professor primário, um dos políticos de renome na história política de Sergipe, reverenciado por aquele povo em homenagens das mais diversas, sendo difícil ir ao Estado sem perceber ruas, edifícios e monumentos com seu nome.

  1. JOÃO GONÇALVES DE SÁ (Coronel João Sá)

coronel_joo_sO Coronel João Sá foi um dos políticos mais influentes no seu tempo, sendo referência regional e líder de uma grande extensão territorial que englobava muitos dos municípios hoje do Nordeste da Bahia. Como vice-presidente da Assembléia Legislativa, assentou ao posto de Governador do Estado da Bahia, em passagem rápida, quando da ausência do Governador e Presidente da Assembléia, entre 1947 e 1948. Era grande pecuarista, detentor de grande extensão e terra e tinha o título de Coronel da Guarda Nacional agraciado às pessoas influentes daquela época, nascido em 25 de novembro de 1882, em Jeremoabo-BA, filho de Jesuíno Martins de Sá e Emiliana Gonçalves de Sá, casado com Lígia de Carvalho Sá, falecido em 5 de agosto de 1958, tinha como Formação Educacional o Curso Primário em Jeremoabo. Foi Prefeito de Jeremoabo. Deputado estadual, 1915-1916 e 1927-1928 e eleito deputado estadual Constituinte pelo Partido Social Democrático - PSD, 1947-1951. Na Assembléia Legislativa, 1º vice-presidente da Mesa Diretora (1947-1948); presidente da Comissão de Polícia Civil e Militar (1949-1950). Da família Gonçalves Sá com origem em Alagoas e Bahia. Em meados do século XIX, instalara-se, no município de Jeremoabo, um moço alagoano, de Água Branca, que veio a ser, posteriormente, dono da Fazenda Torá. Casando-se, nasceu Jesuíno Martins de Sá (pai do Coronel João Sá), a quem estava reservado grande lugar na comunidade sertaneja. Crescendo, educado na escola e no trabalho continuado, ditado pelo pai, Jesuíno fez progresso, conquistando cedo, a sua independência econômica, no comércio da cidade, tendo, após, contraído matrimônio com Dona Delfina Gonçalves (mãe do Coronel João Sá), viúva do Senhor de Engenho Romão. Deste casamento nasceram os seguintes filhos: Jesuíno Martins de Sá Junior, Emílio Martins de Sá, João Gonçalves Sá (o Coronel João Sá), José Gonçalves e Lydia de Sá Carvalho, que veio a casar-se com o Coronel Bento Nolasco de Carvalho. O primeiro destinou-se ao comércio, o segundo a medicina, o terceiro ao comércio e o quarto à engenharia.

 2. OLYMPIO CAMPOS


Monsenhor_Olympio_CamposOlympio Campos exerceu as funções de Professor primário em nossa cidade entre 1874 e 1877, exatamente período em que seu irmão, Guilherme de Souza Campos, também foco deste artigo, foi Juiz de Direito em nosso município.

 Nascido em 26.07.1853 no engenho Periquito, município de Itabaianinha, filho do coronel José Vicente de Souza e D. Porfíria de Campos, Olímpio Campos realizou os estudos básicos em sua vila, em Estância e Lagarto. Quando tinha 15 anos e fazia os preparatórios em Recife (1866/68), repeliu as tendências agnósticas dos livres pensadores ao decidir seguir a carreira eclesiástica num momento em que a Igreja Católica estava politicamente desgastada pelo regalismo, pelo desprestígio do clero e pelo enfraquecimento das ordens religiosas. Começava a revelar a autonomia de sua personalidade forte, demonstrando desde cedo sua predisposição de abraçar causas difíceis e impopulares, sendo nomeado vigário coadjuvante em Itabaianinha (1877/78). De Itabaianinha, foi promovido a vigário titular em Vila Cristina, atual Cristinápolis, onde permaneceu de 1878 a 1880, quando foi transferido para Aracaju onde desenvolveu suas atividades religiosas até 1900. Cheio de fé e estimulado pelos desafios, dispôs-se à luta e ingressou formalmente na política partidária. Concorreu a deputado provincial e exerceu dois mandatos (1882/1983 e 1984), sendo ainda Deputado Geral, de 1885 a 1889; Constituinte Estadual em 1891; Deputado Federal de 1893 a 1894; Deputado Federal de 1894 a 1896; Deputado Federal de 1897 a 1899; Prefeito Intendente em 1890; Presidente do Estado de Sergipe de 1899 a 1902 e Senador  de 1903 a 1906;

 No governo, monsenhor Olímpio de Souza Campos administrou o Estado de 1899 a 1902 com energia e eficiência. Empenhou-se para a melhoria das condições de vida na capital e no interior. Preocupou-se com a questão da água e do saneamento, realizando aterros em praças, e começou o calçamento de ruas de Aracaju. Restaurou prédios públicos, inclusive a Escola Normal, que voltou a funcionar, e empenhou-se em criar o Banco de Sergipe sem, contudo, consumar seu intento. Reformou o ensino e instituiu a vacinação nas escolas. Cuidou de reforçar o montepio dos funcionários e organizou a administração dos hospitais de caridade. Em 1905, Olímpio Campos optou pela indicação do irmão, o desembargador Guilherme de Souza Campos, para suceder Josino Menezes. Em de 09 de novembro de 1906, no Rio de Janeiro, filhos de Fausto Cardoso junto com dois comparsas cercaram-no. Dois pela frente e dois por trás. O monsenhor tentou esvair-se em vão. Na praça XV da capital da República o líder Olímpio Campos tombou pelo efeito de 11 tiros e duas facadas. Gumercindo Bessa, seu antagonista, registrou no seu diário: mataram um inocente.

 3. GUILHERME DE SOUZA CAMPOS

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O outro personagem é um sergipano de origem que aqui viveu e laborou aqui como Juiz de Direito de 1874 a 1878, que tem também uma grande biografia. Guilherme de Souza Campos, filho de José Vicente de Souza, Coronel da Guarda Nacional e de Porfíria Maria de Campos Souza, irmão mais velho de Olímpio de Souza Campos, nasceu no Engenho Periquito, no município de Itabaianinha, em 10 de fevereiro de 1850, recebendo o grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais com os seus colegas da turma de 1871. Formado, inicia carreira profissional como Promotor Público da Comarca de Lagarto, de julho de 1872 a janeiro de 1873, seguindo-se como Juiz Municipal do Termo de Jeremoabo, na Bahia, com mandato de quatro anos, de fevereiro de 1874 a fevereiro de 1878. Volta a Sergipe, até que é nomeado Juiz de Direito da Comarca de Riachão, na distante Província do Maranhão nos anos de 1887 e 1888. No ano seguinte, 1889, é nomeado Chefe de Polícia do Espírito Santo. Ao retornar para seu Estado, já com a vigência da República, vai ocupar, como Juiz de Direito, a Comarca de Lagarto, onde fica de 1890 a 1892. Enquanto dava os primeiros e seguros passos na vida judiciária do Estado, Guilherme de Souza Campos esteve no legislativo sergipano, em dois mandatos de Deputado Estadual (1872-1873 e 1878-1879). Em 26 de dezembro de 1892 foi nomeado desembargador do Tribunal de Relação, sendo eleito para chefiar o Poder Judiciário do Estado de Sergipe em 22 de janeiro de 1895, retomando suas funções de Presidente do Tribunal de Relação, com a eleição realizada na sessão de 11 de julho de 1899, mais de três anos depois da sua deposição e aposentadoria compulsória. É reeleito, seguidamente, até 1905, recebendo a influência do irmão e já grande líder político sergipano, monsenhor Olímpio de Souza Campos. Eleito em 7 de setembro de 1905 e empossado como Presidente do Estado de Sergipe 24 de outubro do mesmo ano. Guilherme de Souza Campos ostentava uma singularidade: era o cidadão sergipano que tinha participado dos três poderes, sendo deputado provincial na Monarquia, Presidente do Poder Judiciário e Presidente do Estado, na vigência da República. Na eleição de 7 de setembro de 1908, Guilherme de Souza Campos foi eleito Senador, cumprindo mandato de 1909 a 1917 e morreu em Aracaju, em 3 de outubro de 1923.

 

BIBLIOGRAFIA

1. DANTAS, José Ibarê Costa. A TRAJETÓRIA POLÍTICA DE OLÍMPIO DE SOUZA CAMPOS 1853/1906. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe/Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. – Vol. 1, n. 1 (1913). Aracaju. 1913
 
2.  WIKIPÉDIA Olympio Campos. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ol%C3%ADmpio_Campos, acesso em 31.08.2011, 00:06 hs
 
3. ITABAIANINHA, Site oficial. Disponível em: http://www.itabaianinha.se.gov.br/filhos-ilustres/44-monsenhor-olimpio-de-sousa-campos.html, acesso em 01.09.2011, 00:18
 
4. HISTÓRICO DE CIDADES BRASILEIRAS, IBGE. Coronel João Sá BA. http://www.ibge.gov.br/cidadesat/historicos_cidades/historico_conteudo.php?codmun=290920, acesso em 03.09.2011, 22:10 hs
 
5. SENADORES, Biografia. João Gonçalves de Sá.  Disponível em http://www.al.ba.gov.br/v2/biografia.cfm?varCodigo=536, acesso em 05.09.2011, 18:03 hs
 
6. SENADORES, Biografia. Olympio Campos., Disponível em http://www.senado.gov.br/senadores/senadores_biografia.asp?codparl=2159&li=26&lcab=1903-1905&lf=26, acesso em 05.09.2011, 19:30 hs
 

1Pedro Pereira da Silva Filho, Administrador de Empresas, MBA USP/FIA. Pós-graduado Administração de Cidades. Especialista em Docência e Metodologia. Secretário Municipal Educação Jeremoabo (BA). E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. . Publicado em 07.11.2011

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