Umbuzeiro, fruta sagrada, sustento da região do Uauá (BA)

O umbu tem sido matéria prima para doces, sucos e até cereja

Umbuzeiro, fruta sagrada, sustento da região do Uauá (BA)

Mais de 4,7 milhões de baianos convivem com a seca. Isso representa 32% de toda a população do estado. O dado é da Defesa Civil da Bahia, que, só este ano, já decretou situação de emergência em 219, dos 417 municípios baianos, por conta do longo período de estiagem.

"Árvore sagrada do sertão", assim chamada por Euclides da Cunha, o umbuzeiro é usado e serve de inspiração na construção de tecnologias para convivência com a seca. A árvore, típica do semiárido, vive, em média, 100 anos e pode armazenar até mil litros de água na raiz. E além disso, produz uma batata, que, em época de grande estiagem, é utilizada como alimento.

Em Uauá, no norte do estado, o umbuzeiro também é referência. É do fruto, do umbu, que cerca de 300 produtores de uma das áreas mais secas da Bahia, passaram a ganhar o sustento. Eles começaram a se organizar em 1990, mas a cooperativa só entrou em atividade em 2003. O umbu, fruta típica do semiárido, virou fonte de renda para eles. Doces e até cerveja são produzidos e exportados. Os cooperados, que fornecem também goiaba e maracujá da caatinga, são remunerados com preço acima do valor de mercado.

A Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc) nasceu da vontade de prosperar em meio a um clima de aridez. E, a partir do ano que vem, a cooperativa vai dar mais um passo na valorização das frutas produzidas na região de Uauá. Vai começar a fabricar polpas e sucos. A ideia é trabalhar com frutas que ainda não são processadas na cooperativa, mas que também são plantadas em municípios vizinhos, como caju, abacaxi e acerola e, quem sabe, aumentar o número de cooperados.

"Os produtores, no geral, eram muito na mão dos atravessadores, né? No caso, o umbu mesmo era todo vendido para fora. Feira de Santana, por exemplo, Aracaju, e por um preço muito baixo. Então, com a cooperativa, ajudou a melhorar o custo dessa fruta que era comercializada aqui", diz José Milton da Silva, coordenador de produção da Coopercuc. "O sertão é produtivo, basta olharmos para, por exemplo, as grandes empresas ou grandes propriedades, aquelas que produzem e que têm acesso á terra e à água, e ao conhecimento e à informação e ao crédito, tudo isso, se o pequeno produtor também tiver, vai ser um sucesso", avalia Noeli Pertile, professora de geografia da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Extraido de matéria do G1: matéria completa clique aqui

 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar