Arara-Azul-de-Lear que habita em Jeremoabo BA, considerada extinta, volta à caatinga

 

 De 60 espécies conhecidas, agora existem mais de 1700 na natureza

 

Arara-Azul-de-Lear que habita em Jeremoabo BA, considerada extinta, volta à caatinga

A arara-azul-de-lear conta com diversos projetos que estão sendo desenvolvidos para estimular o crescimento da população, que vive e se alimenta na região de Canudos, Serra Branca, Euclides da Cunha, Jeremoabo, Santa Brígida e Baixa do Chico. Os projetos focam  preservação da área e do licuri, principal alimento desta ave.

Graças a espécie, nosso município ganhou projeção internacional e muitos estudiosos tem passado por nossa região para conhecer, analisar e estudar o fluxo da espécie.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) prestou relevantes serviços quando estabeleceu um ponto aqui no município e, no último Censo realizado por eles em 2018, contávamos com 1700 espécies, um avanço considerável. Quando o trabalho foi iniciado haviam apenas 60 espécies na natureza. Infelizmente, o Instituto desativou sua base por aqui mas prosseguem as ações pela preservação da Arara-Azul-de-Lear.

O G1 publicou ampla reportagem sobre o assunto que vale a pena conhecer e fruto de expedição efetuada pelo programa “Desafio Natureza”, passando, inclusive por Jeremoabo-BA. Destacamos alguns pontos:  

O grito da arara ecoa pelo sertão da Bahia nas primeiras horas do dia. O chamado vem de uma das 1.700 araras-azuis-de-lear que vivem na região do Raso da Catarina, na caatinga, o bioma mais biodiverso do planeta. Elas só existem nesta parte do mundo. Monogâmicas, voam em duplas ou em trio, quando o filhote ainda não se desprendeu dos pais. No amanhecer, elas saem em nhecer a esbusca do licuri, um coquinho que cresce aos cachos em palmeiras da região. Chegam a percorrer até 60 km ao dia atrás de alimento. Ao entardecer, retornam à morada.

A aparente normalidade da cena esconde um problema: a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) está em perigo de extinção. Outros 182 animais da caatinga também estão ameaçados, como a onça-pintada e a parda, que quase desapareceram do semiárido nos últimos anos. No caso das araras, os esforços para recuperar a população passam pela manutenção dos espaços nos quais elas vivem, pela educação ambiental e pela luta contra o tráfico de animais.

A arara-azul-de-lear é o único psitacídeo (família de aves que inclui os periquitos, araras e papagaios) alvo da Aliança Brasileira para Extinção Zero (Baze). Ela também está na lista vermelha da BirdLife International, uma das principais referências em preservação de aves. A outra arara foco de preservação é a ararinha-azul, da espécie Cyanopsitta spixii, criticamente ameaçada e já extinta na natureza. Foi esta espécie que inspirou o personagem Blu do filme Rio, lançado em 2011 com direção do brasileiro Carlos Saldanha. Em todo o mundo, estima-se que existam apenas 160 destas aves, todas em cativeiro (confira as diferenças e semelhanças entre as espécies no quadro ao fim da matéria).

Uma das ações de preservação do espaço das araras está em Canudos, a cidade conhecida pela guerra que terminou em 1897 com 25 mil mortos. A poucos quilômetros do centro da cidade fica a Toca Velha, um vale formado por paredões de arenito que ganhou este nome porque é onde as araras fazem suas tocas, dentro de buracos. Mantido pela Fundação Biodiversitas, o espaço tem entrada controlada de visitantes, o que garante tranquilidade para a reprodução da espécie e inibe a ação de traficantes de aves, diz Tania Maria Alves da Silva, bióloga e gerente da Estação Biológica de Canudos. Foi lá que uma expedição coordenada pelo ornitólogo alemão Helmut Sick "redescobriu" a arara-azul-de-lear na virada de 1978 para 1979. Até então, sua existência só era conhecida por meio de uma ilustração de 1832 feita pelo artista inglês Edward Lear (daí o nome da arara) e pela descrição de 1856 feita por Charles Lucien Bonaparte (sobrinho de Napoleão Bonaparte) a partir de exemplares taxidermizados do Museu de Paris e do Zoológico da Bélgica. Como ninguém sabia a procedência da arara, pensava-se que ela estava extinta. Helmut Sick, naturalizado brasileiro, soube de relatos de que poderia haver este tipo de arara no sertão baiano e foi atrás do bicho. “Em 5 de janeiro chegamos à "Toca Velha", num dos desfiladeiros (ou "talhados", no linguajar regional) usado como dormitórios e criadouros pelas araras. Atravessando o rio Vaza-Barris penetramos em outro desfiladeiro (no limite sul do Raso da Catarina) atingindo a "Serra Branca" onde, em 16 de janeiro, coletamos um exemplar de A. leari (o primeiro obtido em natureza por um ornitólogo), assegurando assim a necessária prova da descoberta “" - Helmut Sick, em artigo publicado na Revista Brasileira de Zoologia da USP, em 1987.

Fonte: Elida Oliveira, G1. Fotos: Foto: Marcelo Brandt/G1 e Roberta Jaworski/G1

Para ver a reportagem completa do G1: CLIQUE AQUI PARA REPORTAGEM E VÍDEO

 

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