Ameaçado de extinção, umbuzeiro depende de investimento e pesquisa

Categoria: Ciência
Criado em Segunda, 04 Janeiro 2016 19:05
Publicado em Segunda, 04 Janeiro 2016 19:05
Escrito por Pedro Son
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A árvore sagrada do sertão agoniza e se não fizermos nada logo, logo será extinta

Ameaçado de extinção, umbuzeiro depende de investimento e pesquisa

Vindo de Coronel João Sá (BA), por estes dias, ali por dentro atravessando Sitio do Quinto, vim observando atentamente a existência de umbuzeiros. Embora vendo apenas à beira da estrada já se percebe a diminuição do número de árvores da espécie. E recordo, feliz, os três novos pés que plantei há mais o menos cinco anos e que já apresentam sua primeira carga de frutos agora em 2016.

Batizado pelo escritor brasileiro Euclides da Cunha (1866 - 1909) como a "árvore sagrada do Sertão", o umbuzeiro corre risco de extinção na sua terra natal, o semi-árido brasileiro (nordeste). Devido a esse alerta feito por especialistas, organizações locais e nacionais trabalham para estimular a preservação e a exportação do umbu, uma planta que só cresce na caatinga, uma paisagem exclusivamente brasileira.

O umbuzeiro é considerado uma árvore pequena, com cerca de seis metros de altura. Como não existem relatos sobre a existência da planta em outras regiões do planeta, conservá-la é uma das principais preocupações de quem trabalha com ela.

Na caatinga praticamente não existem novas plantas de umbuzeiro. As espécies encontradas têm mais de 100 anos de idade, segundo o biólogo José Alves, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasp), que estuda o umbuzeiro há oito anos. O pesquisador é taxativo: "O umbuzeiro é uma espécie ameaçada de extinção, embora oficialmente não seja considerada ameaçada pelo governo brasileiro".

Mas a preservação do umbuzeiro precisa ser impulsionada imediatamente "para que se garanta essa atividade sustentável pelos próximos dez, 20 anos - como acontece com a castanha do Pará e o açaí na Amazônia", afirma José Alves. Do contrário, a atividade tende a se tornar insustentável e a exportação para países europeus pode ser comprometida ao longo dos anos, avalia o especialista.

Na opinião de especialistas, o umbu encontra adesão em novos mercados porque tem um sabor exótico: é agridoce e difícil de comparar com outra fruta. Sua polpa tem ação energética e é rica em hidratos de carbono e vitaminas B e C.

Bastante apreciado in natura, o umbu é utilizado na fabricação de polpa, suco, sorvete, doce, geléia e uma grande variedade de produtos. Industrializado, o fruto apresenta-se sob forma de sucos engarrafados, doces, geléias, vinho, polpa de frutas.

 

Pode se cozinhar os frutos mais "passados" para obter vinagre ou bater a polpa com leite e açúcar pra se fazer a tradicional Umbuzada, que pode substituir a refeição noturna do nordestino.

Quando observamos as experiências de Uauá, exportando geléias e doces e até com elaboração de cerveja a partir do umbu, renovam-se as esperanças de que possamos perceber o potencial do umbu como dinamizador econômico de nossa região. E aí, possa ser, que as atenções e cuidados voltem-se para ele..