Documentário de Tuna Espinheira foca Jeremoabo e o Sertão baiano

Categoria: Destaques principais
Criado em Quinta, 16 Maio 2013 15:36
Publicado em Quinta, 16 Maio 2013 15:36
Escrito por Pedro Son
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Inspirado no Projeto Terra do artista plástico Juraci Dórea que retratou essa região

Documentário de Tuna Espinheira foca Jeremoabo e o Sertão baiano 

Inspirado no Projeto Terra que completa 30 anos de execução pelo artista plástico Juraci Dórea, o documentário revisita os caminhos percorridos pelo artista, registra o que ainda existe, recupera o que for possível e coloca novas obras no trajeto entre Feira de Santana, Monte Santo, Canudos (Raso da Catarina), Jeremoabo e Paulo Afonso. Colhendo depoimentos de pessoas e personagens de cada local ao mesmo tempo em que promove o conhecimento da arte e motiva o surgimento de novos artistas no sertão baiano num filme documentário. 

A escolha do "leit motiv" do argumento deste documentário, tem como objeto principal o Projeto Terra, uma criação do artista Juraci Dórea, que mudou o foco da produção e exposição de suas obras, dos centros urbanos e das galerias para o sertão, transformando as paisagens que nos marcam por imagens de seca e miséria, em um "grande museu". 

Juraci Dórea nasceu e vive em Feira de Santana, o Portal do Sertão, desde jovem com as coisas, gentes, paisagens, cultura popular, um vasto mundo sertanejo. Optou por recriar, em arte, esta região mítica. O Projeto Terra é a sua mais radical interação pelas veredas afora, espalhando suas obras, pinturas, esculturas, painéis nos ermos do Sertão baiano. De Feira de Santana a Monte Santo, Canudos, Jeremoabo e Paulo Afonso, as duas últimas na parte em que juntas formam a Estação Ecológica Raso da Catarina. Esta cruzada artística está às vésperas de completar 30 anos.

No documentário, como estratégia de abordagem, a câmera vai estar como espectador, flagrando um acontecimento cotidiano; em alguns momentos fixa em outros em movimentos de carrinho ou de grua. Esta estética documental vai exigir um esforço da equipe de fotografia e som direto. Vamos privilegiar o naturalismo combinado com a dramaticidade.  Às vezes vamos surpreender o alvo, colocando a fotografia e som na condição de participante e testemunha, interagindo com o "olhar" e o "ouvir", onde for possível este tipo de linguagem narrativa. Procurar nas cenas de entrevistas (ou pequenos depoimentos), no sentido de captar o áudio para conversações naturais, na leveza do bate-papo, sem o peso das indagações de pesquisa. Assim vamos ouvir os viventes daquelas paragens, com os seus pensamentos livres e as interferências do artista e suas obras. 

Em resumo: um documentário/interação que vai dialogar com a arte e as veredas do Sertão em 52 minutos. O mapa que traçamos, com uma equipe de profissionais,  capta sons e imagens com equipamentos de ultima geração de excelente desempenho e qualidade. 

Nesse período, ainda vamos ter a participação efetiva de pessoas da comunidade na equipe de produção. Integrando um grupo interessado em aprender as técnicas utilizadas pelo artista ou ainda interessado, apenas, pela preservação das obras. 

Dessa forma contribuímos para o desenvolvimento da região e aperfeiçoamos artistas em cada local. A capacitação é particularmente importante para os que têm um contato direto com os turistas e visitantes dessas veredas; poderão criar e desenvolver lembranças e artesanato, mas sobretudo, desenvolverão ações específicas para informação, qualificação, formação e sensibilização dos diversos segmentos dessas comunidades, respeitando os interesses e as funções a serem desempenhadas por cada um. Aspectos qualitativos especiais, incluindo a habilidade de explicar a arte do Sertão, falar sobre o seu lugar; apreciar e interpretar a singularidade da área – sua paisagem, flora e fauna, a diversidade étnica, atividades culturais, artesanato local, assim como o entendimento do sentido do lugar por meio da familiaridade com as histórias, os ritos e mitos tradicionais e a geografia local.

Usualmente, a denominação de "sertão nordestino" é dada às regiões interioranas, independentemente do nível de desenvolvimento social ou econômico. Porém, a expressão também pode ser usada para designar, mais especificamente, as regiões do interior da Bahia, Pernambuco e Piauí, onde se concentram algumas das cidades com maiores índices de desigualdade social do país. 

Nosso projeto vai ser desenvolvido no Sertão baiano, em especial nos municípios de Feira de Santana, Monte Santo, Canudos Jeremoabo e Paulo Afonso. Nossa estratégia inicial é mapear a região, com particular interesse, detalhando cada canto onde o artista plástico Juraci Dórea plantou suas obras de arte. Ao mesmo tempo vamos identificar e selecionar pessoas e personagens, lugares e locais que receberão nova obras, cenários e coisas que possam compor o documentário ao longo da caminhada. 

As ações são constituídas de história e estrutura narrativa em eventos reais, onde os participantes e os assuntos representam a si próprios. Queremos sentir a emoção e vislumbrar a vida através do ponto de vista do sertanejo e sua arte. E as técnicas e tecnologias são nossas ferramentas que tornarão possível contar essa história, e despertar, a partir de sons e imagens, respostas emocionais. Num segundo momento, nossa etapa de produção e filmagem, vamos revisitar, o Sertão Veredas.

O projeto "O Imaginário de Juraci Dórea no Sertão - Veredas" vai interagir com o sertanejo e sua cultura, despertar novos artistas e introduzir técnica por meio do próprio artista para transformar couros e paus do sertão em arte e meio de vida - numa visão econômica, desenvolver ferramentas de  sustentabilidade.

A partir da nossa etapa de finalização, divulgação e exibição,  vamos dar à comunidade sertaneja elementos de elevação da sua autoestima. Pretendemos exibir o documentário em cada município que filmamos. De forma pública e gratuita. Além de distribuir para entidades culturais e educacionais, bibliotecas e cineclubes da região alvo do projeto, além da Cinemateca Brasileira entre outras.

Fonte: "Caderno de Cinema"

 

Quem é Tuna Espinheira

Tuna Espinheira, baiano de Poções, tem atuação de mais de 30 anos no cinema baiano, como documentarista, tendo realizado curtas-metragens, como “Major Cosme de Farias: O Último Deus da Mitologia Baiana”, “Dr. Sobral Pinto”, “Samba Não Se Aprende na Escola”, “Comunidade do Maciel”, “O Fazendeiro do Ar”, “A Ilha da Resistência”, entre outros. Também, “O Cisne Também Morre”, média-metragem de ficção. Atuou como ator em “Um Sonho de Vampiros”, de Iberê Cavalcanti, 1969, e aparece neste “Cascalho”. ”Cascalho” é o seu primeiro longa-metragem. Totalmente filmado em Andaraí, na Chapada Diamantina, o filme conta a saga dos garimpeiros na região na primeira metade do século passado (anos 30), e suas disputas com os coronéis e foi oi lançado recentemente em Salvador.