VISOR: As mulheres e a Politica Jeremoabense

Crônica sobre a trajetória da mulher na politica jeremoabense com pesquisa histórica sobre participação de mulheres em cargos políticos

Pedro Son[1]

Quando escrevi pela primeira vez este artigo, fui traído por algumas informações sobre as mulheres que iniciaram a trajetória debutaram em cargos públicos em nosso município. Aprofundei minhas pesquisas e venho agora fazer alguns reparos, reeditando esta visão das mulheres na politica, neste momento de rasgo histórico em que, pela primeira vez, uma mulher, Anabel de Sá Lima, dirige nossos destinos e nosso futuro, e tendo ao lado outra mulher, como Vice-Prefeita, Jeannete Lima. É um segundo ponto de ruptura política, contrariando as tendências de dominação dos homens no setor, depois de outro ponto atrás quando João Ferreira, o homem vindo do sertão, contraria a lógica de então e se sagra Prefeito, rompendo uma linha dominante vinda dos coronéis ou abastados da época. A questão das mulheres é ainda mais emblemática e por mais que entendamos que surgem num momento praticamente forçado pelas circunstâncias, demonstra que elas, de maneira geral, deixam de ser coadjuvantes par serem protagonistas principais de um novo ciclo da história municipal, que advém da luta de outras grandes mulheres em busca desta conquista Brasil a fora.

A mulher na política brasileira

A participação política foi, durante muitos anos, proibida para as mulheres durante grande parte de nossa história, sendo engado a todos os principais direitos políticos como, por exemplo, votar e se candidatar.  Apenas em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas, é que as mulheres conquistaram o direito do voto e puderam se candidatar a cargos políticos, e, já em 1933, Carlota Pereira de Queirós era eleita a primeira deputada federal brasileira, seguindo-se outras conquistas femininas como: em 1979, Euníce Michiles tornou-se a primeira senadora do Brasil; em 1989, Maria Pio de Abreu do Partido nacional é a primeira candidata feminina a Presidência da República; em 1995, Roseana Sarney tornou-se a primeira governadora brasileira e, em 31 de outubro de 2010, Dilma Rousseff, torna-se a primeira mulher presidente da República no Brasil.

A mulher na política jeremoabense

E em Jeremoabo como foi constituída esta trajetória? Somos uma terra de mulheres fortes e guerreiras, tendo por trás dos grandes Coronéis e figuras notáveis jeremoabenses uma mulher a dar-lhes o suporte necessário para as lides, sem esquecer que a forte e bela Maria Bonita, rainha do cangaço brasileiro, nasceu em terras jeremoabenses na época. Na política, chegam nos anos 50, primeiro com Anna Melo de Carvalho, eleita para o mandato de 1955 a 1958, pela UDN, partido que confrontava o Coronel João Sá, informação que acho relevante, sendo empossada em 07.04.1955, e que recebe o reforço, no mesmo ano, a partir de 07.06.1955 de Juliana Melo de Carvalho, primeira professora, que como suplente assumiu definitivamente seu lugar por renúncia, chegando a assumir a Presidência da Câmara por algumas vezes, como vice-presidente da Mesa Diretora a partir de 1956. Depois destas pioneiras, apenas em 1972, voltamos a ter outra vereadora, a Sra. Ailta Silva Reis, representante da região de Sítio do Quinto, que defendeu o mandato de novembro de 1972 a 1976. Outro hiato de tempo e em 15.11.1982 são eleitas duas vereadoras: Maria Lúcia Andrade Lima Melo, que chega a ser Presidente da Câmara, e Josefa Elma Andrade Soares, que não são reeleitas. Em 03.10.1992, Ana Josefina Melo de Carvalho é eleita vereadora, sendo reeleita em 1997 e 2001, ficando de fora em 2005 e retornando em 2009, num total de 16 anos de mandato. Em 1996, assume também outra representante feminina, Irene Santana da Silva, sendo reeleita desde então, perfazendo um total de 16 anos de mandato. Em 2001, Maria Rosineide de Sá Lima é a primeira moradora da zona rural a ser eleita vereadora.

Em resumo temos:

Mandato

Vereadoras

1955/1958

Anna Melo de Carvalho e Juliana Melo de Carvalho

1972/1976

Ailta Silva Reis

1982/1988

Maria Lúcia Andrade Lima Melo e Josefa Elma Andrade Soares

1989/1992

Nenhuma mulher

1992/1996

Ana Josefina Melo de Carvalho

1997/2000

Ana Josefina Melo de Carvalho e Irene Santana da Silva

2001/2004

Ana Josefina Melo de Carvalho, Irene Santana da Silva e Maria Rosineide de Sá Lima

2005/2008

Irene Santana da Silva

2009/2012

Ana Josefina Melo de Carvalho e Irene Santana da Silva

 

Conclusão

O caminho está traçado e, mais cedo ou mais tarde, acompanhando a trajetória mundial, haveríamos de ter mulheres navegando neste mar ora calmo e ora bravio da política, buscando possivelmente um rumo novo e diferente de nós homens, se aplicados fielmente todos os conceitos administrativos aprendidos na prática e na força na condução dos lares brasileiros. Lições de economia, sensibilidade, distribuição e controle, elas podem dar tranquilamente. O que nós esperamos é que estes conceitos sejam realmente aplicados, aliados ao jeito feminino de ver, sentir e agir, baseados na ternura e carinho mas aliados à força e, principalmente, à coragem de dizer sim e não quando necessário. Abram alas!

[1] Pedro Pereira da Silva Filho, Administrador de Empresas, MBA USP/FIA. Pós-graduado Administração de Cidades. Especialista em Docência e Metodologia. Secretário municipal Educação Jeremoabo (BA)