VISOR: O Sentido da Serra da Santa Cruz
VISOR: O sentido da Serra da Santa Cruz
Semana Santa, sexta-feira da Paixão. Como em todos os anos, centenas de pessoas dirigem-se para a visita na Serra da Santa Cruz ou Serra do Cavaleiro. Sobem e descem numa movimentação contínua que lota a estrada íngreme e escorregadia de pedras soltas que levam ao topo da Serra e a Capelinha lá construída. Lá em cima confraternizam-se, batem papo, revê amigos e ficam a deliciarem-se com a bela vista de nossa cidade e de nosso município, levando as visões bem mais além, lá no horizonte, onde é capaz de se ver um pedacinho do Rio Vaza Barris, a Serra da Torre de TV, o Estádio, o Parque de Exposições, o Centro da Cidade, etc. Ainda temos os pagadores de promessas: gente que leva pedras na cabeça para a subida, alguns que pagam de joelhos as dádivas recebidas, aqueles que deixam ao pé da santa cruz as suas cabeças, pés e mãos de madeiras, num acender de muitas velas e pipocar de vários foguetes. Isso vale a pena! Mas esse cotidiano pode ser realizado o ano inteiro, qualquer dia do ano, talvez sem o grande fluxo de pessoas neste dia. Qual o sentido hoje da subida neste dia? Acabamos o sentido religioso. Tempos atrás havia missa no local e os grupos realizavam via-sacra dando um verdadeiro sentido religioso ao dia. Lembro que, quando líder do Grupo de Jovens Católicos, realizávamos a subida, com vários jovens, rezando a via-sacra com foco sempre na Campanha da Fraternidade e apresentávamos uma peça teatral sobre a Paixão de Jesus. Só para citar alguns deste grupo tínhamos Lula e Aninha de Petinga, Rosely, Julinho, Ery, Carlos Hungria, Terezinha, meus irmãos Márcia e Jorge, Solange, Aninha Gama, Jaqueline e até Vilmar, hoje Padre, era uma turma boa, pedindo desculpas a quem na hora não lembrei. Realizamos isso durante vários anos, conjuntamente com Antonio Chaves e o Grupo Senhor do Bonfim. Era proibido transgredir e o sentido era oração, penitência e reflexão. Outros grupos revezavam-se em orações na Capela. Aquilo preenchia nossa manhã. Depois, tudo foi tomando outro rumo e a subida começou a perder o sentido e transformar-se num local de bebidas e, consequentemente, ocorrência de fatos negativos que inibiram muitas famílias para lá se dirigirem. O que me pergunto é porque a Igreja Católica, ao invés de deixar a realização dos atos que fazia neste dia, preferiu ausentar-se, abandonar o local e suspender as atividades que davam sentido à visita neste dia, verdadeiros momentos de fé de nosso povo.
Por outro lado, esquecendo um pouco da reflexão religiosa mas pensando turisticamente, necessitamos fazer alguma coisa sim para darmos um sentido a Serra do Cavaleiro ou Serra da Santa Cruz, nosso cartão postal e um dos patrimônios turísticos mais importantes. Todos sabem de cor e salteado da história do cavaleiro que “sem temer nem mesmo a morte, no abismo se jogou para trazer pegado à unha, este boi arisco e forte”, cavaleiro anônimo, mas que deu um sentido diferente a Serra e ao município. Não há melhor lugar do que aquele para um Museu que conte nossa história, a história do cangaço e da formação do povo desta região do Nordeste, com estrada em paralelepípedos até lá, com Cineclube, auditório para conferências e seminários, barzinho, restaurante, etc. convivendo pacificamente com o turismo religioso. Sei que tudo depende do Poder Público e como Secretário de Cultura me é impossível realizar todos estes sonhos, mas não quero que seja um sonho que se sonha só. Ou fazemos alguma coisa ou perderemos, sem sentido, um dos nossos pontos mais importantes.
VISOR: João Ferreira
Pedro Son[1]
Ontem (14) aconteceu a missa de sétimo dia de João da Silva Varjão, conhecido como João Ferreira, ex-prefeito de Jeremoabo e político de largaradição. Nascido em 26.05.1942 e falecido em 08.01.2012, merece nossas atenções e estudos porque, vindo de seio humilde e região pobre do sertão jeremoabense, contraria todas as lógicas existentes na política e governança do município, conseguindo romper a barreira e se tornar vereador e prefeito, como representante do Brejo Grande, até então um pequeno povoamento que despontava por situar-se às margens do Rio Vaza Barris.
Ao observarmos o histórico de nossos mandantes percebemos que a condução da cidade era sempre entregue a egressos de famílias mais tradicionais jeremoabenses, entendendo-se essa tradicionalidade como pessoas mais ricas, grandes proprietárias de terras ou comerciantes estabelecidos financeiramente ou pessoas acolhidas neste seio. Na primeira fase política de nossa história, que aqui pontuo como após 1831, quando nos transformamos em Vila e ganhamos a autonomia relativa da cidade, até 1925 quando recebemos a carta de cidade, foram determinados a nos governar, os coronéis(José Rabelo de Morais, Cel. Jesuíno Martins de Sá, Cel. Antonio Lourenço de Carvalho, João Lourenço de Carvalho e Jesuíno Martins de Sá Júnior) que por muitos anos após continuaram a determinar e indicar os futuros governantes.
Após 1925, nossos governantes foram Bento Nolasco de Carvalho (1927-1932) (1948-1951) (1963-1964), Manoel Martins de Sá (1933-1937), João Gonçalves de Sá (1938-1943), Vicente de Paula Costa (1944-1947) (1951-1954) (1970-1072), Manoel de Carvalho Santana (1955-1958), Abelardo Silvestre de Santana (1959-1962), João Gonçalves de Carvalho Sá (1964-1966), (1977-1981), José Lourenço de Carvalho (1966-1970), José Lourenço de Carvalho (1972-1976), (1982-1988) e João da Silva Varjão (1988-1991). Como se ver, Jesuíno Martins de Sá e Antonio Lourenço de Carvalho, Coronéis primeiros a serem governantes, determinaram praticamente nossos futuros governantes.
João Ferreira começa a aparecer no cenário político em 1976 quando é eleito vereador para o período de 1977 a 1981, quando então governava João Gonçalves de Carvalho Sá, num momento favorecido pela emancipação, nos últimos anos, das cidades de Pedro Alexandre, Santa Brígida e Coronel João Sá, que abriu espaço para surgimentos de mais lideranças locais, chegando a ser Prefeito Municipal de 1989 a 1992, primeiro após a Constituição de 1988, e vice-prefeito duas vezes, de 1982 a 1988 e a última no mandato de Dr. Spencer, de 2005 a 2008, e nunca mais deixou o viés político, transitando praticamente em todas as correntes políticas jeremoabenses, mas sem nunca ter deixado o PMDB.
Seu estilo era populista e sabia entender as necessidades do povo mais simples e humilde, recebendo e ouvindo todos sem nunca esboçar um aborrecimento. Nas últimas eleições foi sempre o fiel da balança política, sendo seu apoio sinônimo de vitória. Faleceu vitimado por um câncer de próstata, sendo atualmente Secretário Municipal de Infra-Estrutura de Jeremoabo, deixando como legado político seus filhos, Pedro Bonfim Varjão, atual vice-prefeito e Manú, vereador.
João, ainda ousou mais e chegou a ser Candidato a Deputado Estadual logo após deixar a Prefeitura, mas não conseguiu votação suficiente para ser eleito. Saliente-se ainda que foi o primeiro prefeito jeremoabense após a Constituição Cidadã de 1988, recebendo o desafio de iniciar a consolidação das conquistas sociais e democráticas daquela Carta.
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[1] Pedro Pereira da Silva Filho, Administrador de Empresas, MBA USP/FIA. Pós-graduado Administração de Cidades. Especialista em Docência e Metodologia. Secretário municipal Educação Jeremoabo (BA)
VISOR: Jeremoabo, Terra de Governadores
VISOR: JEREMOABO, TERRA DE GOVERNADORES
Coronel João Sá; 2. Olympio Campos; 3. Guilherme Campos
Pedro Son1
Muita coisa pode ser escrita sobre Jeremoabo pelo seu contexto histórico e por sua importância na formação do povo do Nordeste da Bahia. Quer econômica, administrativa ou politicamente, temos inúmeras contribuições para perpetuarmo-nos na história. Fanático por esta história, tenho levantado pontos importantes para reflexão e resgate de nossa excelsa importância.
De uma só vez, traga-vos biografias resumidas de três personalidades que nasceram ou viveram em nossa cidade e que chegaram a ocupar o cargo de Governador de Estado, tanto da Bahia quanto de Sergipe: João Gonçalves de Sá, Olympio Campos e Guilherme Campos. Por isso, a ênfase do título é verdadeiramente a realidade da força deste município: terra de governadores. Enaltece-nos ter tido entre nós, atuando como professor primário, um dos políticos de renome na história política de Sergipe, reverenciado por aquele povo em homenagens das mais diversas, sendo difícil ir ao Estado sem perceber ruas, edifícios e monumentos com seu nome.
- JOÃO GONÇALVES DE SÁ (Coronel João Sá)
O Coronel João Sá foi um dos políticos mais influentes no seu tempo, sendo referência regional e líder de uma grande extensão territorial que englobava muitos dos municípios hoje do Nordeste da Bahia. Como vice-presidente da Assembléia Legislativa, assentou ao posto de Governador do Estado da Bahia, em passagem rápida, quando da ausência do Governador e Presidente da Assembléia, entre 1947 e 1948. Era grande pecuarista, detentor de grande extensão e terra e tinha o título de Coronel da Guarda Nacional agraciado às pessoas influentes daquela época, nascido em 25 de novembro de 1882, em Jeremoabo-BA, filho de Jesuíno Martins de Sá e Emiliana Gonçalves de Sá, casado com Lígia de Carvalho Sá, falecido em 5 de agosto de 1958, tinha como Formação Educacional o Curso Primário em Jeremoabo. Foi Prefeito de Jeremoabo. Deputado estadual, 1915-1916 e 1927-1928 e eleito deputado estadual Constituinte pelo Partido Social Democrático - PSD, 1947-1951. Na Assembléia Legislativa, 1º vice-presidente da Mesa Diretora (1947-1948); presidente da Comissão de Polícia Civil e Militar (1949-1950). Da família Gonçalves Sá com origem em Alagoas e Bahia. Em meados do século XIX, instalara-se, no município de Jeremoabo, um moço alagoano, de Água Branca, que veio a ser, posteriormente, dono da Fazenda Torá. Casando-se, nasceu Jesuíno Martins de Sá (pai do Coronel João Sá), a quem estava reservado grande lugar na comunidade sertaneja. Crescendo, educado na escola e no trabalho continuado, ditado pelo pai, Jesuíno fez progresso, conquistando cedo, a sua independência econômica, no comércio da cidade, tendo, após, contraído matrimônio com Dona Delfina Gonçalves (mãe do Coronel João Sá), viúva do Senhor de Engenho Romão. Deste casamento nasceram os seguintes filhos: Jesuíno Martins de Sá Junior, Emílio Martins de Sá, João Gonçalves Sá (o Coronel João Sá), José Gonçalves e Lydia de Sá Carvalho, que veio a casar-se com o Coronel Bento Nolasco de Carvalho. O primeiro destinou-se ao comércio, o segundo a medicina, o terceiro ao comércio e o quarto à engenharia.
2. OLYMPIO CAMPOS
Olympio Campos exerceu as funções de Professor primário em nossa cidade entre 1874 e 1877, exatamente período em que seu irmão, Guilherme de Souza Campos, também foco deste artigo, foi Juiz de Direito em nosso município.
Nascido em 26.07.1853 no engenho Periquito, município de Itabaianinha, filho do coronel José Vicente de Souza e D. Porfíria de Campos, Olímpio Campos realizou os estudos básicos em sua vila, em Estância e Lagarto. Quando tinha 15 anos e fazia os preparatórios em Recife (1866/68), repeliu as tendências agnósticas dos livres pensadores ao decidir seguir a carreira eclesiástica num momento em que a Igreja Católica estava politicamente desgastada pelo regalismo, pelo desprestígio do clero e pelo enfraquecimento das ordens religiosas. Começava a revelar a autonomia de sua personalidade forte, demonstrando desde cedo sua predisposição de abraçar causas difíceis e impopulares, sendo nomeado vigário coadjuvante em Itabaianinha (1877/78). De Itabaianinha, foi promovido a vigário titular em Vila Cristina, atual Cristinápolis, onde permaneceu de 1878 a 1880, quando foi transferido para Aracaju onde desenvolveu suas atividades religiosas até 1900. Cheio de fé e estimulado pelos desafios, dispôs-se à luta e ingressou formalmente na política partidária. Concorreu a deputado provincial e exerceu dois mandatos (1882/1983 e 1984), sendo ainda Deputado Geral, de 1885 a 1889; Constituinte Estadual em 1891; Deputado Federal de 1893 a 1894; Deputado Federal de 1894 a 1896; Deputado Federal de 1897 a 1899; Prefeito Intendente em 1890; Presidente do Estado de Sergipe de 1899 a 1902 e Senador de 1903 a 1906;
No governo, monsenhor Olímpio de Souza Campos administrou o Estado de 1899 a 1902 com energia e eficiência. Empenhou-se para a melhoria das condições de vida na capital e no interior. Preocupou-se com a questão da água e do saneamento, realizando aterros em praças, e começou o calçamento de ruas de Aracaju. Restaurou prédios públicos, inclusive a Escola Normal, que voltou a funcionar, e empenhou-se em criar o Banco de Sergipe sem, contudo, consumar seu intento. Reformou o ensino e instituiu a vacinação nas escolas. Cuidou de reforçar o montepio dos funcionários e organizou a administração dos hospitais de caridade. Em 1905, Olímpio Campos optou pela indicação do irmão, o desembargador Guilherme de Souza Campos, para suceder Josino Menezes. Em de 09 de novembro de 1906, no Rio de Janeiro, filhos de Fausto Cardoso junto com dois comparsas cercaram-no. Dois pela frente e dois por trás. O monsenhor tentou esvair-se em vão. Na praça XV da capital da República o líder Olímpio Campos tombou pelo efeito de 11 tiros e duas facadas. Gumercindo Bessa, seu antagonista, registrou no seu diário: mataram um inocente.
3. GUILHERME DE SOUZA CAMPOS

O outro personagem é um sergipano de origem que aqui viveu e laborou aqui como Juiz de Direito de 1874 a 1878, que tem também uma grande biografia. Guilherme de Souza Campos, filho de José Vicente de Souza, Coronel da Guarda Nacional e de Porfíria Maria de Campos Souza, irmão mais velho de Olímpio de Souza Campos, nasceu no Engenho Periquito, no município de Itabaianinha, em 10 de fevereiro de 1850, recebendo o grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais com os seus colegas da turma de 1871. Formado, inicia carreira profissional como Promotor Público da Comarca de Lagarto, de julho de 1872 a janeiro de 1873, seguindo-se como Juiz Municipal do Termo de Jeremoabo, na Bahia, com mandato de quatro anos, de fevereiro de 1874 a fevereiro de 1878. Volta a Sergipe, até que é nomeado Juiz de Direito da Comarca de Riachão, na distante Província do Maranhão nos anos de 1887 e 1888. No ano seguinte, 1889, é nomeado Chefe de Polícia do Espírito Santo. Ao retornar para seu Estado, já com a vigência da República, vai ocupar, como Juiz de Direito, a Comarca de Lagarto, onde fica de 1890 a 1892. Enquanto dava os primeiros e seguros passos na vida judiciária do Estado, Guilherme de Souza Campos esteve no legislativo sergipano, em dois mandatos de Deputado Estadual (1872-1873 e 1878-1879). Em 26 de dezembro de 1892 foi nomeado desembargador do Tribunal de Relação, sendo eleito para chefiar o Poder Judiciário do Estado de Sergipe em 22 de janeiro de 1895, retomando suas funções de Presidente do Tribunal de Relação, com a eleição realizada na sessão de 11 de julho de 1899, mais de três anos depois da sua deposição e aposentadoria compulsória. É reeleito, seguidamente, até 1905, recebendo a influência do irmão e já grande líder político sergipano, monsenhor Olímpio de Souza Campos. Eleito em 7 de setembro de 1905 e empossado como Presidente do Estado de Sergipe 24 de outubro do mesmo ano. Guilherme de Souza Campos ostentava uma singularidade: era o cidadão sergipano que tinha participado dos três poderes, sendo deputado provincial na Monarquia, Presidente do Poder Judiciário e Presidente do Estado, na vigência da República. Na eleição de 7 de setembro de 1908, Guilherme de Souza Campos foi eleito Senador, cumprindo mandato de 1909 a 1917 e morreu em Aracaju, em 3 de outubro de 1923.
BIBLIOGRAFIA
1. DANTAS, José Ibarê Costa. A TRAJETÓRIA POLÍTICA DE OLÍMPIO DE SOUZA CAMPOS 1853/1906. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe/Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. – Vol. 1, n. 1 (1913). Aracaju. 1913
2. WIKIPÉDIA Olympio Campos. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ol%C3%ADmpio_Campos, acesso em 31.08.2011, 00:06 hs
3. ITABAIANINHA, Site oficial. Disponível em: http://www.itabaianinha.se.gov.br/filhos-ilustres/44-monsenhor-olimpio-de-sousa-campos.html, acesso em 01.09.2011, 00:18
4. HISTÓRICO DE CIDADES BRASILEIRAS, IBGE. Coronel João Sá BA. http://www.ibge.gov.br/cidadesat/historicos_cidades/historico_conteudo.php?codmun=290920, acesso em 03.09.2011, 22:10 hs
5. SENADORES, Biografia. João Gonçalves de Sá. Disponível em http://www.al.ba.gov.br/v2/biografia.cfm?varCodigo=536, acesso em 05.09.2011, 18:03 hs
6. SENADORES, Biografia. Olympio Campos., Disponível em http://www.senado.gov.br/senadores/senadores_biografia.asp?codparl=2159&li=26&lcab=1903-1905&lf=26, acesso em 05.09.2011, 19:30 hs
1Pedro Pereira da Silva Filho, Administrador de Empresas, MBA USP/FIA. Pós-graduado Administração de Cidades. Especialista em Docência e Metodologia. Secretário Municipal Educação Jeremoabo (BA). E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. . Publicado em 07.11.2011
VISOR: A Escola, a violência e a segurança
VISOR EDUCACIONAL: A Escola, a violência e a segurança
Pedro Son[1]
A coisa está complicando de vez. Agora é moda ocorrências de violência nas escolas e mais um caso chega ao nosso conhecimento, o caso de uma escola em São Caetano do Sul (SP), onde um aluno de 10 anos atirou numa professora e se atirou em seguida. Isso mesmo! Dez anos! Oh, mundo cruel! Escola bem conceituada, situada em zona das mais ricas do país, significando dizer que a violência já não é mais privilégio de escolas de regiões mais pobres como sempre fizeram acreditar. Primeiro, era coisa de primeiro mundo, Estados Unidos, etc. Depois se espalhou pelo mundo e chegou ao Brasil, Rio de Janeiro, São Paulo, etc.
Em Jeremoabo começam a aparecer sinais, ainda fracos sim, mas preocupantes, de ocorrências aqui e ali, numa escola e outra, de alguns casos que exigem muito cuidados. Semana passada fui numa reunião com uma comunidade rural, onde funciona uma escola, cujo nome vou omitir para preservá-la, para discussão de fato lamentável. Um jovem residente nesta comunidade, usuário de drogas, começou a atirar pedras enormes no telhado da escola e depois, armado com um facão, estava rondando a escola. Testemunhos de alguns chegaram a dizer que ele falava coisas desconexas e chegou a citar o lamentável fato da escola no Rio de Janeiro. Ou seja, ameaça velada! Sabendo do fato, orientei nosso Diretor de Núcleo a prestar a devida queixa policial e solicitar segurança para a escola. Na reunião convidei a comunidade a refletir sobre a responsabilidade de cada um na solução do problema. A situação amedronta a comunidade há tempos e ninguém toma rédeas para solução. No fatídico dia, todos assistiram na comunidade, mas ninguém sequer ligou para a Polícia Militar, preservando ou com medo não sabemos de que.
Naquela oportunidade, discuti profundamente o papel de cada um. Não fugi das responsabilidades, em pequena parte, da Escola, levando o caso para as raias policiais. Mas, e as responsabilidades da comunidade, como cidadãos que não querem sua paz perturbada? Como pais como protetores naturais dos seus filhos? E da Polícia Militar? E da Polícia Civil? De todos enfim?
O que claramente se percebe é que está todo mundo tirando o macaquinho do seu ombro e botando no ombro do outro. Lembram da propaganda da Tigre? O problema passando prá frente e nada de solução efetiva para que nossas escolas e nossos profissionais tenham a segurança merecida. Problema é de todos, sim! Começa em casa, nas famílias, onde já não se consegue dominar muitos filhos viciados e trilhadores de caminhos nefastos. Se as famílias já não conseguem, como sozinhas vão conseguir as escolas? É problema de Segurança Pública sim! Como um todo, fazer seu verdadeiro papel de defensores da sociedade e punidores dos infratores. É problema do Estado que não oferecem condições para que essa Segurança Pública atue efetivamente em condições de fazer sua parte.
Ou acontece uma grande união em torno do tema para encontrarmos maneiras rápidas de enfrentamento do problema ou a coisa tende a se complicar profundamente. Neste momento, as Escolas sozinhas estão ficando impotentes. O problema é bem, mas bem maior mesmo que elas. Enquanto isso, o macaquinho da Tigre vai pulando... vai pulando... vai pulando...
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[1] Pedro Pereira da Silva Filho, Administrador de Empresas, MBA USP/FIA. Pós-graduado Administração de Cidades. Especialista em Docência e Metodologia. Secretário Municipal Educação Jeremoabo (BA)
VISOR: Jeremoabo, o cangaço e Zé Rufino
JEREMOABO, O Cangaço e Zé Rufino
Pedro Son[1]
Em 28 de Julho de 1938, morreu Lampião, este lendário personagem histórico, fonte de estudos dos mais diversos, cantado em verso e prosa e ainda hoje dividindo opiniões mais extremas que ora o coloca como herói e outras como bandido. Jeremoabo está intrinsecamente ligado a este movimento, sendo fonte fornecedora de muitos cangaceiros e de muitos soldados da volante, mas, principalmente, porque aqui nasceu Maria Bonita. Exatamente em nosso município, na localidade Malhada de Caiçara, no município de Santa Brígida, em 1911, nesta época pertencente ao município de Jeremoabo.
A saga do cangaço perdurou entre os anos 1920 e 1930 quando nosso município era o centro mais importante de toda esta região Nordeste da Bahia e, porisso, aqui se concentravam as volantes, contingente de cidadãos recrutados para o combate ao cangaço, dando um dinamismo sócio-econômico importante a Jeremoabo, embora, por outro lado, atraísse a violência e o medo para nossa população, marcados com a atuação cruel dos perseguidores e perseguidos.
Segundo o pesquisador Antonio Amaury Correa de Araujo, as cidades mais importantes para o Cangaço foram Vila Bela, atual Serra Talhada (PE), Jeremoabo (BA), Uauá (BA), Floresta (PE), Piranhas (AL), Delmiro Gouveia (AL), Poço Redondo (SE), Porto da Folha (SE) e Glória (BA). "Foram locais onde funcionaram as sedes das volantes ou de passagens de Lampião", afirmou Corrêa.
Neste contexto, temos que destacar a figura de Zé Rufino, o implacável caçador de cangaceiros, que aqui residiu, fez família e se tornou, por opção, cidadão jeremoabense. O matador de Corisco, página mais lida de sua história, começa a ter sua biografia destacada. Nascido José Osório de Farias, sanfoneiro afamado em seu estado natal, Pernambuco, Zé Rufino foi convidado por Lampião para integrar o bando, que sonhava com sua sanfona alegrando o bando, recusando, e entrando na volante para fugir da vingança do rei do cangaço, que não aceitava uma negativa. Meses depois José Osório engajou-se à polícia chegando a receber graduação de tenente, e a partir daí surgiu o Tenente Zé Rufino. Chegou rapidamente a oficial, alcançando a posição de coronel da Policia Militar da Bahia. Participando de inúmeros combates, Zé Rufino matou muitos cangaceiros, tendo se tornado um dos mais respeitados chefes militares na perseguição ao cangaço, tendo dado fim aos cangaceiros Pai Véi, Mariano, Barra Nova, Zepellin, Canjica, Zabelê, etc., mas Corisco, sem dúvida, foi o que mais lhe deu fama.
Mas o fato que terminou pegando Lampião de surpresa, numa emboscada que ocasionou sua morte, tem também algo a ver com Zé Rufino. Cansado de ver o estrago que o comandante fazia no cangaço, Lampião manda uma mensagem a Corisco que dizia: "Vamos dar uma lição em Zé Rufino, que está querendo passar de pato a ganso." E acertaram um encontro exatamente na Grota do Angico para acertar uma emboscada contra o então tenente José Osório de Farias, conhecido como Zé Rufino. Para Lampião, o tenente andava 'atrapalhando' e era hora de tomar providências. Surpreendido pela volante, não houve tempo para colocar em prática a emboscada contra Zé Rufino.
Passados os anos turbulentos das perseguições aos cangaceiros, Zé Rufino comprou fazendas na região de Jeremoabo, e aqui viveu até seu derradeiro suspiro. Lembro-me, pequeno, de vê-lo, tranqüila e calmamente, andando pelas ruas de nossa cidade, ou sentado nas barbearias contando um pouco de suas aventuras. Ano passado, sua vida e história foi tema da Conferência de Abertura do Cariri Cangaço 2010, realizado dia 17 de agosto na cidade de Barbalha-CE, com o pesquisador Antônio Amaury Correia de Araujo.
[1] Pedro Pereira da Silva Filho, Administrador de Empresas, MBA USP/FIA. Pós-graduado Administração de Cidades. Especialista em Docência e Metodologia. Secretário municipal Educação Jeremoabo (BA)
obs.: publicado também nos sites www.jeremoaboagora.com.br; www,favascontadas.com.br
VISOR: Jeremoabo e o Negro
Pedro Son[1]
A história de Jeremoabo está intrinsecamente ligada ao índio e ao negro, conforme relatos e conhecimento da formação de nosso povo. Inicialmente, em 1549, com a chegada de Tomé de Souza e conseqüente doação de sesmaria à Garcia D’Avila, grande desbravador do Nordeste brasileiro, os índios foram domesticados, tiveram suas melhores terras tomadas e serviram de base fundamental, com sua força, no processo de desenvolvimento de nosso território. Eis que, entretanto, os missionários jesuítas começam a catequizar os índios e começar um processo de libertação que trouxe sérios problemas aos senhores donatários que, em represália, por volta de 1669, incendeiam a Igreja de Jeremoabo e afugentam os índios que correm de nossa área para outras terras.
Neste contexto, surge a alternativa do negro africano para continuação do trabalho escravo que começam a chegar ao Brasil por volta de 1530, quando se podia importar até 120 negros por propriedade e já vindos de Portugal como escravos treinados, principalmente para o Nordeste brasileiro. Em 1778, por informações à Corte pelo Padre Januário de Sousa Pereira, Vigário freguesia de São João Batista de Jeremoabo do Sertão de Cima, havia na sede 32 casas e 252 habitantes sendo cinco brancos e os demais negros. Claro que os brancos eram os senhores proprietários e os negros os construtores de suas riquezas.
Numa época mais a frente surgem os quilombos, centros de resistência dos negros que fugiam da escravidão e novamente Jeremoabo aparece como destaque possuindo, naquele tempo, quilombos considerados entre os mais importantes da Bahia e do Nordeste, tanto que hoje temos 11 (onze) comunidades quilombolas em reconhecimento no município: ALGODÕES, ALGODÕES DOS NEGROS, ANGICO, BAIXÃO DA TRANQUEIRA, BAIXÃO DA VIRAÇÃO, CASINHAS, OLHO DÁGUA, OLHO DÁGUA DOS NEGROS, VASOS DE OURICURI e VIRAÇÃO.
Esta introdução serve para colocarmo-nos no cerne da questão: por que será então que nossa população negra hoje é tão diminuta? Na publicação dos números do Censo 2010 temos estratificado em Cor ou raça os seguintes números: Branca: 9.766; Preta: 2.709; Amarela: 290; Parda: 24.855 e Indígena: 60. Total: 37.680 habitantes. Evidencia-se ainda certo preconceito em se declarar negro. Temos a formação do nosso povo inteiramente negra e isso não se reflete no censo quando apenas 7% (2.709 habitantes) se declararam negros com a população absoluta se declarando parda, 66% da população. Ora, que cor é a parda? Segundo o Aurélio pardo é o mulato, aquele que tem cor entre o amarelo e o castanho ou entre o preto e o branco, ou seja, cor intermediária. Segundo artigo na Revista Raça Brasil, declarar-se pardo “É uma maneira para a gente dizer que não é negro.”
O sentido de pertencimento à raça é algo cultural e que vem de um passado preconceituoso e de um patrulhamento infindo, com o negro sendo relegado a papel secundário na sociedade e, apesar de todos os movimentos libertários e de soerguimento de sua importância, ainda perdura em muitos o ocultismo e até vergonha mesmo de declarar-se negro. A História do Negro e de sua Cultura está sendo inserido nos currículos escolares e tomara que, a partir disto, muitos se orgulhem destes que foram verdadeiros baluartes na construção deste país rico e soberano. E que aí então os de fato e de direito possam gritar bem alto: EU SOU NEGÃO.
Observação: publicada também no site WWW.jeremoaboagora.com.br
[1] Pedro Pereira da Silva Filho, Administrador de Empresas, MBA USP/FIA. Pós-graduado Administração de Cidades. Especialista em Docência e Metodologia. Secretário municipal Educação Jeremoabo (BA)
VISOR JUNINO
VISOR: SÃO JOÃO DE ANTIGAMENTE OU DE HOJE?
Pedro Son
Mais um São João se foi. O bom agora é fazer todas as reflexões, encontrar todos os defeitos e aplaudir o que foi bom, já preparando o espírito e o terreno para o ano vindouro. Fizemos uma grande festa, ninguém duvida, com boas atrações, muita gente na cidade, bom nível de organização, Aviões do Forró e Leonardo, e de quebra Forró do Muido, Gatinha Manhosa, etc. Entretanto, neste contexto algumas perguntas nunca calam, entre elas, qual o melhor, o são João de hoje ou o de antigamente?
A primeira discussão conjuntural é sobre o estilo musical: forró pé de serra, sanfona, forró eletrônico, etc. Antigamente, nossas alvoradas eram alvoradas mesmo, começando por volta de cinco horas da manhã, com o povo arrastado pela sanfona pé-de-bode de Totonho, ou pelos oito baixos de Gene e todos iam felizes pulando, dançando e cantando “tem tanta fogueira”, “já é madrugada”, “joguei a faca no tronco da bananeira”, etc. Nesta época, o som dançante era também de radiola, com matinais dançantes no cinema sob condução de Senhorinha e todos iam. E todos dançavam ao som de Trio Nordestino, etc.
Ah! Mais hoje as bandas têm novo aparato eletrônico, o ritmo é bem diferente e a musicalidade é mais pagode, pop romântico, meio samba, etc. Mas, se fosse como antigamente, o povo ia atrás? Os jovens iriam gostar? Já pensou alvorada naquele estilo? Já pensou um somzinho de radiola, DVD? Dançavam? Curtiam?
Depois vem a discussão da festa em casa, na porta de casa na base da fogueira, milho e batata assada, amendoim, brincadeiras na bacia, confraternização de vizinhos etc. Era bom sim! Simples mas de muita paz, amor e confraternização. Mas a sociedade vivia sob outro tipo de família mais repressiva, mais controladora e que não soltavam muito os filhos, eram criados ali em redor e a festa em casa facilitava o controle. A sociedade era outra também, mais pura, mais amiga, mais fraterna. Hoje, meu irmão, difícil conter esta rapaziada que prefere a rua de que a porta de casa.
E as quadrilhas? É, modificaram também. Agora se fala em quadrilha estilizada com novas formas, novos passes e nova coreografia. Ah! Que saudade! Anarriê, Alavantu, já não existem. Até a festa religiosa mudou. Já não somos católicos como antes quando lotávamos a igreja Matriz, bem sei fruto de um Deus que podia castigar se lá não fossemos. Deus de castigo era esse que me ofereciam. Mas todos lá estavam.
Não sei se mudamos, se os costumes mudaram, se o mundo é outro e se renova a cada dia. Não sei se a razão está com os saudosistas que lutam bravamente por tradições que já não se mantém atuais. Não sei se a juventude de hoje é mais livre, menos reprimida e desafiadora. Não sei se o ontem era o certo, era o bom. Sei apenas que nesta divagação entre o antigamente e o atual há uma linha tênue de satisfação aqui e ali, de homens de hoje que se encontram no passado e de gente de ontem cada vez mais sintonizada com os avanços, navegando entre uma juventude que sempre e sempre inova e busca novas tecnologias e nova forma de refazer tudo.
Entre uma saudade e outra, modernidade e tecnologia, vou navegando em busca de paragens tranqüilas, onde o novo e o velho se abracem num romance sem fim. Por tudo isso, posso dizer, valeu são João!
Observação: Coluna publicada também no site www.jeremoaboagora.com.br
VISOR: MÚSICA JEREMOABENSE
VÍSOR MÚSICA JEREMOABENSE
Embalado no sucesso da banda AMOR A DOIS, grande sensação do momento na música jeremoabense, no balanço de “uma e quinze da manhã”, mergulho num passeio pelos artistas de nossa terra de ontem e de hoje, querendo prestar uma homenagem a estes abnegados em levar alegria e conforto aos corações. A Banda Amor a Dois vem ultrapassando a barreira municipal e vem conquistando muitos admiradores na região nordeste da Bahia, com dois CDs gravados e de muito sucesso.
Nossa história musical começa com o Maestro Manoel Rego, da Filarmônica 24 de Junho, primeiro expoente e que deixaria depois seguidores como o Mestre Bibo, Dudé e seu banjo, João Juremeira e sua flauta, num período em que a música coletiva, tocada conjuntamente era a tônica da vez, com partituras e conhecimentos musicais mais aprofundados, num ensejo em que também podemos incluir D. Antonia Meirelles, professora de violão, compositora e ativista musical. Isso pro volta dos anos 20 onde os bolerões sobressaiam-se ou os dobrados da filarmônica. Outros maestros fizeram nome como Domingos Almeida, Simplício Santana, Edson Porto, etc.
Mais tarde começam a surgir os seresteiros como Manoel de Chico, grande violonista, auto- didata e detentor de um ouvido fabuloso e os cantores como Corró, Peixada e Cuquinha, iniciando-se a era dos grupos musicais como Som 2000, do qual fiz parte como cantor e que tinha os irmãos Paulo e Zé Perninha; e os Esforçados, que tinha além de Manoel, Galego, Zé Nonô, Cabecinha. Por esta época destacamos também os programas de calouros que tinham a participação sempre de João Matogrosso, que chegou inclusive a apresentar-se no programa de Sílvio Santos; Aílton de Zé dos Santos; Zezão de Elizeu, Rubens do Correio e tantos outros.
Merecem serem citados também a família Bibo que ofertou muitos legados musicais à nossa cidade como Carmelita de Dudé, Ismael, Divá, Garcia e Titonho que integrou grandes grupos musicais no Sul do País como a Orquestra da TV Tupi. Pense num povo afinado! Carmelita embalou muitas noites românticas. Ou melhor, ainda embala!
Um parênteses especial merecem nossos sanfoneiros pois deles emergem a expressão maior de nossa cultura musical: o forró. Quantos movimentaram nossas noites de São João no mercado Municipal da Farinha e em todos os salões deste município, a exemplo de Gonzaga, um dos primeiros a puxar o fole; Gene e Los Pencas; Manoel do Leite; Huguinho; Arnaldo e Floro, muito ainda esticando o fole por aí a fora. E aqui agente tem que colocar Zezinho da Ema. É, a Várzea da Ema, de onde é originário, é município de Jeremoabo, embora todos achem que seja canudense. Pois bem! Zezinho da Ema levou o nome do nosso município Brasil a fora.
Da geração dos mais novos quero destacar os que gravaram e fizeram sucesso como Eri de Carvalho, cantor de MPB, fazia muito barzinho e gravou dois CDs que valem a pena serem ouvidos; Raios de Neon, gravou também um CD muito interessante; a Banda Strelada, do mesmo grupo de Amor a Dois, mas que foi ofuscada pelo brilho da estrela maior e Nadja Meirelles que gravou um CD muito bonito. Carmelita também gravou um CD!
E tem mais! Um grupo vem tocando um som de bom nível, repertório equilibrado e bons músicos: o Sabor do Som, que eu prefiro chamar de Irmaõs Meirelles,. Mas não posso deixar de citar Everton, que anda meio desaparecido mas é um músico talentoso; Manoel Messias, bom tecladista e que sempre fez um bom som e uma série de grupinhos espalhados por este município inteiro podendo-se destacar o Jovem Music da Barroca; Sertanejos do Forró, do Itapicuru e Banda Amor Total do Canché, além de outros por aí espalhados.
Longa lista, não? Temo ter esquecido mais outros. Mas olhe, aproveite, mande para nossa coluna e vamos incluir.
VISOR VIAGEM, Crônica sobre Brasília
Esta crônica encontra-se publicada também no site www.jeremoaboagora.com.br
VISOR VIAGEM
O agito e o legislar dos Deputados em Brasília, Capital Federal
Pedro Son
Esta semana estive em Brasília, Distrito Federal, e, de certa maneira, quebrando um pouco do paradigma de que Deputado não trabalha, pois vi um Congresso agitado por diversas reuniões nos plenários e uma cidade efervescente no seu agito natural de uma cidade que foi planejada para conviver com um número de habitantes e foi surpreendida, quarenta anos depois, com uma população muito mais além do que imaginava os idealizadores sonhadores da Belacap.
Aliás, foram dois paradigmas quebrados. O segundo é o de que servidor público, e ainda por cima havia uma ênfase tempos atrás nos que prestavam serviços nos Ministérios e Repartições Públicas, atende mal, é mal educado, não liga para quem lá está, etc. Evidente que em alguns pontos deste País ainda é assim. Mas Brasília não! A coisa mudou!
Aproveitando minha estadia fiz uma peregrinação pelos Ministérios da Educação, Ministério do Esporte e FNDE. Em todos fui tratado com atenção total, foco nas soluções que fui buscar, papo agradável, cafezinho e uma simpatia fora do comum no atendimento. E olha que estava sozinho. Sem acompanhamento de Deputado ou lobista. Absolutamente só. E consegui avançar e voltei com problemas resolvidos e/ou bem encaminhados.
Mas voltemos aos Deputados. Cruzei com muitos deles, bati um papo agradável com Emiliano José (Bahia) e com Ângelo Vanhoni, relator do projeto de Lei que institui o Plano Nacional de Educação 2011-2020. Com eles debatemos um pouco sobre a Agenda de um parlamentar. Emiliano, por exemplo, estava em duas comissões, que se reuniam praticamente naquela hora e ainda numa reunião de bancada do Partido dos Trabalhadores. Ângelo relatava a agenda na busca de subsídio para o PNE, com reuniões praticamente diárias, participação em eventos de discussão com a sociedade, educadores, etc. Ambos ainda com o compromisso de não descuidar de suas ares políticas de atuação.
Assisti a reunião da Comissão de Educação, no Congresso Nacional, iniciada às 15 hs, saí por volta de 19hs e eles ainda ficaram lá. Discutindo artigos, organizando audiências públicas, elaborando cronograma de discussão e dando formas definitivas ao Plano. Pelos corredores, muitos repórteres de plantão, das principais emissoras de TV do País, que não perdiam oportunidade para entrevistar e bisbilhotar, buscando o “furo de reportagem”.
Ah! Quase ia esquecendo. O que fui fazer mesmo? Fui participar do evento da UNDIME – União dos Dirigentes Municipais de Educação – como Delegado votante pela Bahia já que foram realizadas eleições para a nova Diretoria Nacional. Fomos 14 Delegados do Estado da Bahia. Foram três dias corridos! Mas Brasília sempre vale a pena!
VISOR POLÍTICO
VISOR POLÍTICO
Pedro Son
Vamos chegando para unirmo-nos a equipe briosa do site. A coluna será chamada de VISOR e a cada semana podemos mudar o foco do assunto. Exemplo: VISOR ESPORTIVO; VISOR EDUCACIONAL; VISOR ECONÔMICO; VISOR CIDADANIA, etc.
Vamos estrear falando sobre a REFORMA POLÍTICA em votação no Congresso e o que poderá representar muitas mudanças. Por enquanto, a análise está sendo efetuada pela Comissão de Reforma Política do Senado que tem prazo até o dia 20 de maio para elaboração dos Projetos de Lei para apreciação da Comissão de Justiça do Senado. Evidentemente que tais modificações, se aprovadas pelo Congresso Nacional terá validade apenas a partir de 2014, mas já será um avanço considerável.
Vamos então as principais propostas aprovadas pela Comissão:
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Acabam-se as coligações partidárias para sistema proporcional (vereadores, deputados).
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Financiamento público de campanha
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A comissão aprovou o voto em listas fechadas nas eleições proporcionais (deputados e vereadores), em que os eleitores passam a votar nos partidos, e não mais nos candidatos. Pela proposta, cada sigla elabora listas com os nomes dos políticos que vão ocupar as vagas recebidas pela legenda.
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O senador pode passar a ter apenas um suplente, que não poderiam mais ser parentes consangüíneos ou cônjuges, que só assumiria o cargo temporariamente. A proposta é que, em caso de morte ou renúncia do titular, sejam convocadas novas eleições no estado para escolher um novo representante.
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Acaba-se a reeleição e o mandato passa a ser de cinco anos
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A comissão ainda autorizou o lançamento de candidatos avulsos (sem ser filiado a nenhum partido) nas eleições municipais, para Prefeito e Vereador, desde que obtenha o apoio de 10% dos eleitores;
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Continuidade do voto obrigatório.
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Cotas de 50% para candidatas nas listas fechadas.
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Mudança na data de posse do presidente da República para o dia 15 de janeiro e para governadores e prefeitos a data passaria para 10 de janeiro.
10. Além das cotas, a comissão aprovou a realização de referendo (consulta popular) para questionar a população sobre o sistema eleitoral de listas fechadas aprovado pelos senadores.
Inegavelmente, há necessidade urgente de uma reforma partidária, que deve ser o ponto inicial para tantas outras melhorias do Sistema Eleitoral Brasileiro. Os pontos acima elencados ainda são tímidos e insuficientes para a grande revolução mas é um ponto de partida.
A sociedade civil começa a se organizar também apresentando uma série de propostas de iniciativa popular e foi criado até um site: www.reformapolitica.org.br para acompanhamento e divulgação destas propostas.
Aí, só nos resta rezar, para que o Plenário da Câmara de Deputados e do Senado Federal sejam menos pragmáticos e votem pelas propostas sugeridas pela Comissão de Reforma Política.