VISOR EDUCACIONAL: A Escola, a violência e a segurança
Pedro Son[1]
A coisa está complicando de vez. Agora é moda ocorrências de violência nas escolas e mais um caso chega ao nosso conhecimento, o caso de uma escola em São Caetano do Sul (SP), onde um aluno de 10 anos atirou numa professora e se atirou em seguida. Isso mesmo! Dez anos! Oh, mundo cruel! Escola bem conceituada, situada em zona das mais ricas do paÃs, significando dizer que a violência já não é mais privilégio de escolas de regiões mais pobres como sempre fizeram acreditar. Primeiro, era coisa de primeiro mundo, Estados Unidos, etc. Depois se espalhou pelo mundo e chegou ao Brasil, Rio de Janeiro, São Paulo, etc.
Em Jeremoabo começam a aparecer sinais, ainda fracos sim, mas preocupantes, de ocorrências aqui e ali, numa escola e outra, de alguns casos que exigem muito cuidados. Semana passada fui numa reunião com uma comunidade rural, onde funciona uma escola, cujo nome vou omitir para preservá-la, para discussão de fato lamentável. Um jovem residente nesta comunidade, usuário de drogas, começou a atirar pedras enormes no telhado da escola e depois, armado com um facão, estava rondando a escola. Testemunhos de alguns chegaram a dizer que ele falava coisas desconexas e chegou a citar o lamentável fato da escola no Rio de Janeiro. Ou seja, ameaça velada! Sabendo do fato, orientei nosso Diretor de Núcleo a prestar a devida queixa policial e solicitar segurança para a escola. Na reunião convidei a comunidade a refletir sobre a responsabilidade de cada um na solução do problema. A situação amedronta a comunidade há tempos e ninguém toma rédeas para solução. No fatÃdico dia, todos assistiram na comunidade, mas ninguém sequer ligou para a PolÃcia Militar, preservando ou com medo não sabemos de que.
Naquela oportunidade, discuti profundamente o papel de cada um. Não fugi das responsabilidades, em pequena parte, da Escola, levando o caso para as raias policiais. Mas, e as responsabilidades da comunidade, como cidadãos que não querem sua paz perturbada? Como pais como protetores naturais dos seus filhos? E da PolÃcia Militar? E da PolÃcia Civil? De todos enfim?
O que claramente se percebe é que está todo mundo tirando o macaquinho do seu ombro e botando no ombro do outro. Lembram da propaganda da Tigre? O problema passando prá frente e nada de solução efetiva para que nossas escolas e nossos profissionais tenham a segurança merecida. Problema é de todos, sim! Começa em casa, nas famÃlias, onde já não se consegue dominar muitos filhos viciados e trilhadores de caminhos nefastos. Se as famÃlias já não conseguem, como sozinhas vão conseguir as escolas? É problema de Segurança Pública sim! Como um todo, fazer seu verdadeiro papel de defensores da sociedade e punidores dos infratores. É problema do Estado que não oferecem condições para que essa Segurança Pública atue efetivamente em condições de fazer sua parte.
Ou acontece uma grande união em torno do tema para encontrarmos maneiras rápidas de enfrentamento do problema ou a coisa tende a se complicar profundamente. Neste momento, as Escolas sozinhas estão ficando impotentes. O problema é bem, mas bem maior mesmo que elas. Enquanto isso, o macaquinho da Tigre vai pulando... vai pulando... vai pulando...
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[1] Pedro Pereira da Silva Filho, Administrador de Empresas, MBA USP/FIA. Pós-graduado Administração de Cidades. Especialista em Docência e Metodologia. Secretário Municipal Educação Jeremoabo (BA)