O canto agudo avisa que ela está por perto. A beleza da arara azul de lear se destaca ainda mais porque a ave de cerca de 75 centÃmetros de comprimento gosta de voar em bando. Um raro espetáculo que só pode ser visto no nordeste da Bahia.
A arara dorme em paredões de arenito em uma área preservada entre os municÃpios de Canudos e Jeremoabo. Ela voa até 170 quilômetros em busca de comida.
A arara azul está há 30 anos na lista de espécies ameaçadas de extinção. Por ser dócil, a ave é uma das mais cobiçadas pelos traficantes de animais. Na década de 80 havia registro de apenas 60 aves desta espécie na natureza, mas um Censo realizado ano passado pelo Instituto Chico Mendes localizou mais de 1.200 exemplares, um avanço que só foi possÃvel graças ao trabalho de fiscalização e a ação de biólogos e ONGs.
O trabalho começa com a preservação da palmeira do licuri ou do licurizeiro, como é popularmente conhecida. A árvore produz o coco do licuri, alimento preferido da arara azul de lear e que serve de matéria prima para outras atividades.
O plano de manejo sustentável começa com a numeração das árvores no campo. Um grupo do municÃpio de Santa BrÃgida trabalha junto e usa a consciência para retirar a palha no tempo certo.
Aos poucos, a fibra da palha vai ganhando forma nas mãos das artesãs. Elas fazem peças de decoração, porta joias, cestas e utensÃlios domésticos. A oportunidade de geração de renda é compartilhada por várias famÃlias.
A chance de ganhar dinheiro, aliada à preservação da flora e da fauna, está sendo multiplicada em outras comunidades baianas para garantir a continuidade das ações.
Já são nove anos do Programa de Conservação e Manejo da Arara Azul de Lear e a cada ano ele se desenvolve ainda mais. Já são 44 artesãos trabalhando de forma consciente com a palha do licurizeiro nas cidades de Santa BrÃgida e Euclides da Cunha na Bahia. As peças produzidas são comercializadas em Salvador, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.
Assim, a arara azul de lear vai recebendo o valor que merece e tem garantido o simples direito de viver em segurança na natureza e continuar visitando os quintais das famÃlias.