TEMPO E VIDA
 

Abra os olhos, veja o mundo,
veja a vida, como ela é.
                Cante forte, cante alto,
                pregue a paz, viva a fé.
               
Acorde logo pois a vida
não espera os sonolentos
                  Ande muito, pense bem,
                   veja os fatos, curtos e lentos.
 

Corra depressa, tempo é dinheiro,
poupe seu tempo, evite o banal.
                   Fuga prá que? tens que viver,
                   abandone revista, rasgue jornal.

O SÉTIMO SABER (A Ética do Gênero Humano)
Pedroson

I
Vamos mostrar-lhe agora
Dos grandes saberes, o sétimo
Edgar Morrin ensina
Mais crônico do que poético
O linguajar é profundo
É do tamanho do mundo
Aprendamos a ser ético

II
A Ética humana traz
A cadeia um tanto estética
Indivíduo, sociedade e espécie
Formando a antropo-ética
Respeitando a diferença
Sem espaço pra desavença
Numa missão mais que poética

III
A Ética é esperança
Na completude humanitária
É aspiração e vontade,
Cidadania planetária
Apóia a compreensão
Trabalha a humanização
É consciência solidária

IV
Neste saber aprendemos
Que na sociedade solidária
Cresce a Democracia
Afoga-se a autoritária
O indivíduo é cidadão
Responsável na ação
É livre, totalitário

V
A Democracia é simples
Exige muita igualdade
Nutrida de ideais
Entre os quais a LIBERDADE
No conflito se alimenta
No consenso se agüenta
E prega a fraternidade

VI
Ah! Professora lhe digo
Que o caráter dialógico
Une de modo sublime
O antagônico e ideológico
Faz conflito ser consenso
E busca de modo intenso
O diálogo e o lógico

VII
A Democracia do futuro
Com tanto desenvolvimento
Reduz o político ao técnico
Econômico ao crescimento
perde o referencial
alterna o bem e o mal
e causa enfraquecimento

VIII
Que coisa bonita vi
Kant dizer e mostrar
A terra é tão pequena
Vamos viver e amar
Que a cidadania terrestre
Nos transforme em pedestre
Amigos do além-mar

IX
Este contexto global
Dá a todos a missão
Transformar a humanidade
Livre da dominação
As barbáries evitar
O pensamento reformar
Livrar-nos da opressão

X
Mas vou lhe dar a receita
Pra felicidade encontrar
Pra que todos se irmanem
E a paz venha pra ficar
Busquem em Deus o caminho
Trate a todos com carinho
Levem Cristo pro seu LAR.

ROCK TEM IDADE?
Pedro Son

Domingo tranqüilo de sol. Resolvo encarar um Festival de Rock: A Conquista do Rock. Comunico aos familiares tentando angariar adeptos para o programa. Que nada! Parecem não acreditar. Minha filha tenta de todas as maneiras demover-me da idéia.
- Meu pai, sabe do público que estará presente? Adolescentes, ela mesma responde.
- Se orienta, homem, isto não lhe pertence mais. Diz a esposa, parodiando bordão humorístico.
Explico-lhes que quando da minha juventude curti muito rock. Rock pauleira. Black Sabbath, Led Zepelin, Nazareth, Alice cooper, Pink Floyd, etc. Época áurea. Juntava-me com Zé Alberto Porreta, o cara, grande cara jeremoabense, e na casa dele curtíamos horas e horas, enlevados por aqueles sons mágicos. E os Mutantes, cujo Long Player (disco vinil) “tudo foi feito pelo sol” quase furávamos de tanto escutar. E deu-me saudade! Aquele anúncio do Festival fizera-me querer reviver tudo.
Ainda arrisco perguntar com que roupa eu vou.
- De preto, arrisca ela.
Pego a única camisa preta que tenho, lembranças da Faculdade em que lecionava com a inscrição nas costas: RECURSOS HUMANOS, o curso do qual era professor.
Dou um tchau e elas incrédulas:
- Você vai mesmo? Veja sua idade?
- E rock tem idade? Pois se acostume com o tipo de velhinho arretado que serei. Curtidor! Espelhado num grande amigo do Rotary. Grande curtidor! Sua profissão. Sua forma caliente de vida.
    Decidido, vou sem companhia.
    Fico observando aquela legião de jovens. A maioria absoluta de preto. Tipo pirata, tipo bruxa, todo tipo. De preto. Nas camisas inscrições dos grandes nomes mundiais do rock e muitos nomes nacionais: Iron Maide, Sepultura, Raul Seixas, etc. Que devem pensar da inscrição de minha camisa: um novo grupo? Jovens alegres e felizes. Lotam a Concha acústica do Centro de Cultura. Começa o som e parecem soltar um dragão de dentro deles. Agridem-se! Lutam! Pulam! Parece movido por um ente encantado que só eles possuem. As bandas soltam o som. Cama de Jornal, The Plant, Zero800, sacodem a galera e fazem um rock bom de ouvir.
     Olho para um lado e para outro. Procuro alguém do meu time. Vejo um velhinho endiabrado, pulando, dançando e divertindo-se à beça. Tipo cabelo arrumadinho e gestos finos. Aproximo-me para ver de perto e só então percebo as unhas pintadas na cor vinho: cabra sem-vergonha!.    
     Cinco horas depois acaba a maratona.
     Satisfeito volto com o som dentro dos meus ouvidos a noite inteira.
     Bom programa!

Vitória da Conquista, novembro 2005